Ecos do Restelo Especial II - Estágio 2007.



A bola já roda em Sintra, naquele que foi o dia 1 do estágio 2007 do Belenenses.
Depois da excelente época em 2006-07, Sintra (onde também se iniciou a campanha azul) já é talismã?
Não somos supersticiosos, mas pelo sim, pelo não…

De resto, as condições na bela vila de Sintra são muito boas: a unidade hoteleira onde a comitiva está instalada é excelente, e o pequeno estádio do Sintrense é adequado as circunstâncias. Os problemas com o relvado que foram notícia há algumas semanas atrás parecem bastante atenuados, isto apesar da relva se encontrar um pouco alta e aqui e ali com algumas pequenas peladas.

As condições meteorológicas – quem se encontra de férias certamente não concordará – acabam inclusive por ajudar os jogadores, sendo a temperatura que se fez sentir (a rondar os 22 graus) ideal para quem é sujeito a cargas físicas.

E foi mesmo isso que se passou. O esforço exigido aos atletas foi enorme – como comprovámos junto de Nicolas Muñuz – realidade que se pode considerar já uma imagem de marca de Jesus.

Ainda assim, o timoneiro da nau azul nunca deixou de incentivar os seus jogadores, ouvindo-se à dada altura do treino a voz de quem é líder: “Mais intensidade Gabriel, mais intensidade”, gritava Jesus em direcção a Gabriel Gomèz, um dos novos reforços azuis.

A sessão de treino foi dividida essencialmente em duas metades: a primeira das quais consistiu num exercício especifico na zona do meio-campo que obrigava os jogadores a passar rápido a bola, a efectuar piques de corrida sucessivos, e ainda a ultrapassar uma série de obstáculos; a segunda, onde a bola ganhava mais importância, decorria em cerca de 70 metros. A bola era endereçada dos guarda-redes para os laterais, destes para o meio-terreno ou para as alas, acabando por ser centrada para a zona da grande área onde os avançados procuravam facturar.

Nota de destaque para o facto de Dady, Areias e Amaral, até aqui ligeiramente condicionados, terem efectuado todo o treino sem qualquer limitação. O cabo-verdiano ainda sofreu um pequeno choque quando num lance um dos guarda-redes azuis saiu aos seus pés, mas pôde prosseguir a sessão com normalidade.

Por entre os poucos espectadores presentes, o Belém até Morrer descobriu Sérgio (na foto, segundo da direita em baixo), velha glória belenense nas épocas 1967-68, 1968-69, que venceu inclusive uma Taça de Honra e uma Taça Tejo.
A pergunta inevitável: “Que diferenças encontra no futebol actual em relação ao futebol praticado no seu tempo?”

Sérgio: Isto (o treino que decorria) é completamente diferente. Antigamente tinha que andar a correr a subir as escadas das bancadas e a descer, agora não, fazem isto… Talvez seja melhor, não sei, mas no nosso tempo era assim: a subir as bancadas todas, a subir, a descer e assim sucessivamente. E a correr cá fora. Quando jogava à bola aqui no Sintrense, cheguei a ir ao Castelo dos Mouros… Agora é completamente diferente…”

Em relação aos dois anos que jogou no Belenenses, Sérgio, com alguma emoção, afirmou “que gostou imenso. É um clube que me ficou no coração. Na altura fui mesmo o melhor marcador do Belenenses. Tenho pena que na altura não ter podido jogar mais, porque eu não era profissional e os meus colegas eram-no todos. Eles eram profissionais e eu era amador, trabalhava e não quis largar o meu emprego por causa do bola…”