Grande entrevista com Rafael Bastos



O treino de ontem havia terminado há poucos minutos quando vimos surgir Rafael Bastos sorridente. O jovem jogador brasileiro oriundo do Bahia encontra-se visivelmente feliz por se encontrar em Portugal, por ser jogador do Belenenses.

Referindo-se às primeiras impressões que tem em relação a Portugal e ao seu novo clube, Rafael, recém-chegado, refere estar a gostar: “É muito bom o país. Mais tranquilo… é diferente do Brasil que é mais agitado”. Peremptório, prossegue afirmando que o “Belenenses é belo, é muito bom, sabe-se que é uma força aqui em Portugal e está montando um grupo à altura. Esperamos nesta temporada fazer uma grande época e conquistar os nossos objectivos. O grupo é muito bom, bom de trabalhar. O professor Jesus é um professor exigente, temos que trabalhar forte para fazer grandes partidas”. Termina afirmando que a exigência de Jesus é positiva, “porque o grupo todo fica centrado nos nossos objectivos”.

Trabalhar forte é precisamente o que se tem verificado no Restelo, com treinos matinais e vespertinos que se prolongam por cerca de duas horas.
Questionado se estava habituado a um ritmo tão intenso, Rafael afirma: “Não tanto. Pouco a pouco eu vou me adaptando porque no Brasil é menos carga”. Reconhece que nunca havia realizado 4 horas de treino num só dia, acrescentando que se sente “um pouco de cansaço mas acho até que é normal, estou ainda meio fora. Mas no dia a dia vai pegando, mas está dando para trabalhar bem”.

Referindo-se ao clima, o médio ofensivo afirma “que aqui está mais calor do que no Brasil. Eu vivia num lugar que era bastante calor, mas a respiração aqui está meio adaptando ainda”.

Conhecias algum dos teus colegas aqui do Belenenses?

“Pouco”, afirma Rafael. “O Nivaldo que eu vi jogar, o Rodrigo Alvim, que me estão ajudando bastante na adaptação e coisas particulares também”.

No Brasil o Belenenses tem repercussão mediática, quisemos saber.
Conhecias alguma coisa do clube antes de aqui chegares?

“Conhecia pouco”, responde. “Sabia que era uma equipa antiga que tinha conquistado já um título. Conheço 3 portugueses lá da minha cidade e a gente sempre acompanhava e via alguns jogos. Mas não vou falar que conhecia muito porque eu vou estar mentindo.

Ficaste surpreendido com o clube?

“Com a estrutura fiquei”, reconhece Rafael, afirmando imediatamente que “a estrutura é muito boa. Quando eu cheguei Portugal pensava que era um pouco menor, mas quando cheguei aqui vi que era um clube grande…”

O Belenenses estará nesta época envolvido em 4 frentes, 3 domésticas e uma europeia. Em Setembro e Outubro, os azuis do Restelo disputarão inclusive três eliminatórias a eliminar (taças de Portugal e Liga e taça UEFA) que poderão dar o mote para a restante temporada.
Quisemos saber quais às expectativas de Rafael em relação à taça UEFA, qual à importância de participar numa prova tão mediática e conceituada em todo mundo.

“Muito, muito importante”, afirma prontamente Rafael. “As provas da UEFA são vistas no Brasil como uma competição muito forte, e então a gente tem ir trabalhando cada vez mais forte no dia-a-dia para quando chegar essa competição, até mesmo porque o nível ai é muito grande”. Com a mesma determinação refere ainda, concluindo, que “a gente tem trabalhar muito forte mesmo no dia a dia para que a gente possa conquistar os nossos objectivos passo a passo. Conquistar a classificação e depois ir para a fase de grupos e tentarmo-nos classificar”.

Fazes parte dos quadros do Cruzeiro. A taça UEFA poderá servir de trampolim para ti, para te valorizares, ou nem sequer pensas nisso neste momento?
“Sou um jogador novo…” afirma Rafael, “…e todo o sonho de um jogador é jogar na taça uefa, na champions league. Então é um trampolim sim. Toda a Europa vai ver-nos jogar; vou botar a minha cabeça bem focada nisso para fazer grandes partidas e ajudar o Belenenses”.

Confrontado com os objectivos que o Belenenses traçou para esta época, o jogador não hesita em referir que “o objectivo maior é sempre conquistar o título e a gente vai passo a passo no decorrer do campeonato, a cada partida traçar novas metas. No dia a dia, em cada jogo, vamos tentar procurar atingir os nossos objectivos.

Mas em Portugal são "sempre" os mesmos a vencer o campeonato…

“Sempre um dia muda. Um dia tem que mudar”, profere Rafael sem hesitar. “No Brasil também são sempre os grandes a ganhar mas desde há alguns anos para cá tem havido muitas surpresas. Na copa do Brasil, que é muito importante, os clubes pequenos vem chegando e conquistando títulos e a gente cá vai procurar… Um ano muda”, torna a repetir com convicção, “o Benfica, o Sporting e o Porto são grandes equipas mas com muita força a gente vai conquistar os nossos objectivos.

O que é que se pode esperar do Rafael nesta época?

“Como eu falei tenho muita vontade. Para mim é o ano da minha vida”, afirma com determinação. “Vou trabalhar muito forte para, se deus quiser, ajudar os meus companheiros, toda a comissão e a torcida. Se deus quiser nos vamos traçar os nossos objectivos e conquistá-los”.

Dentro das quatro linhas em posição é que podes render mais? Que espaços ocupas…?

“Actuo preferencialmente no meio campo mais ofensivo”, diz-nos, “chegando mais no ataque, nas costas do avançado, ou nas alas, pela esquerda”.

Na 5ª feira estiveste muito bem no treino, marcaste inclusive dois golos. És um jogador muito concretizador?

“Essa é uma das minhas características”, refere, “chegar sempre no ataque e surpreender. No Brasil sempre fiz muitos golos. Em 2 anos enquanto profissional fiz 30 golos. É bom, até porque eu sou um médio… vamos ver no decorrer da época”.

Quinze golos por época em média. Pensas que podes repetir estes valores?

“Pode ser”, afirma. “Não sei. Estou agora chegando e não sei como vai ser, por isso é muito complicado estar a dizer se vou fazer 15 golos… Mas sempre procuro o golo”, faz questão de acrescentar.

Rafael Bastos encontra-se em Belém a título de empréstimo. O Cruzeiro possui o seu passe, mas o Brasil parece não fazer parte dos seus objectivos mais próximos.
“O sonho de todo o jogador é ficar na Europa. Financeiramente é melhor para nós brasileiros e eu pretendo ficar por aqui. Como falei sou muito ambicioso por isso pretendo chegar a grandes clubes como cheguei lá no Brasil. O cruzeiro é um grande clube”, diz ainda, “mas o meu desejo mesmo é ficar pela Europa”.