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Entrevista Belém até Morrer: Cândido Costa (2ª parte)

BAM – Agora que o horizonte belenense ficou reduzido à liga e à taça de Portugal, pensas ser possível repetir os sucessos da época passada, ou seja, regressar ao Jamor e obter uma classificação europeia? Neste mesmo sentido, o associado Artur Leitão deixou expressa a seguinte pergunta: “O que pensa do momento actual da equipa e se pensa que iremos lutar esta época pelos lugares de acesso à Taça UEFA!”

Cândido Costa: Penso que sim. Penso que o Belenenses neste momento tem um plantel jovem, mas tem também um plantel muito bem estruturado, com muitos valores e cada um deles diferente. Acho que Belenenses, tendo jogadores experientes no balneário tem os certos, porque são jogadores experientes que não deixam de ter qualidade, não são jogadores que estão aqui com trinta e poucos anos e que não jogam. São jogadores ainda muito úteis, como é o caso do Silas e do Costinha. São jogadores mais velhos, que têm experiência, mas são fundamentais para a equipa funcionar. Não é como acontece noutros clubes, onde jogadores mais velhos permanecem no plantel mas estão um bocado já a acabar. São já praticamente só portas bandeiras. Aqui não, são jogadores que ao Domingo ainda estão lá e ainda têm uma palavra a dizer e um papel preponderante na equipa.
Depois temos jovens, jogadores ainda muito jovens, mas que são titulares da equipa, jogadores muito fortes. Jogadores que estão a ser cobiçados e que estão nas selecções muitos deles, sub-20, sub-21 – o Ruben, o Rolando... São jogadores com uma margem de progressão muito grande.
E depois tens os outros, na meia idade futebolística, entre os 25 e os 28 anos. A equipa está muito bem preenchida, bem equilibrada entre os diversos escalões de idade, todos eles com muita qualidade e que garantem ao Belenenses continuidade no trabalho, na mística do Belenenses, no que é representar o belenenses. Alguns jogadores podem transmitir isso aos que chegam.
Hoje em dia está na moda virem muitos brasileiros e é importante quando eles chegam aqui que encontrem pessoas que já conhecem o clube, que lhes possam mostrar que jogar no Belenenses não é o mesmo que jogar no braga, não é o mesmo que jogar no boavista. Há identidade, há processos, há maneiras de se comportar. E isto, podendo parecer que não, é importante, também ganha jogos. Penso que nesse aspecto o Belenenses está forte, algo que tem que se agradecer ao Jorge Jesus que está a saber escolher bem as peças. Não é qualquer um que vem para o Belenenses.
Hoje para jogar no Belenenses eu sinto que é preciso estar bem, porque toda a gente quer vir para o Belenenses hoje em dia. Uma coisa foi vir para o Belenenses como eu vim, isso se calhar já havia poucos que quereriam vir. Hoje em dia toda a gente quer vir para o Belenenses. O Belenenses está em grande, está bem, está saudável.
Mas para isso é preciso também manter, é preciso ter uma atitude assim, ter mais vitórias do que derrotas, ser falado, inclusive ser odiado porque isto é sinal que o Belenenses está bem. Os adversários só odeiam um clube quando este é vencedor.

BAM – Quando te perguntaram quais eram os teus passatempos preferidos referiste, entre outros hobby´s mais de lazer, “observar comportamentos”. Aproveitando esta tua faceta, gostaria que falasses um pouco sobre o mister Jorge Jesus, sobre o que já apreendeste do seu comportamento enquanto homem e sobretudo treinador?
Tal como o teu ídolo Bruce Springsteen, Jesus é um verdadeiro “Boss” (patrão)?

Cândido Costa: Sem dúvida, sem dúvida que é. A diferença de dar um cargo a alguém e essa pessoa ter esse cargo mas depois quem está à volta não se identifica com o cargo dessa pessoa, acaba por ter pouca credibilidade. Neste caso, o mister Jesus tem efectivamente posição e cargo para ser o “Boss”. Pelo feitio dele, pela maneira dele ser... Eu gostaria mais de falar do mister Jorge Jesus – acho que a minha opinião só vai ser 100% honesta – quando deixasse de ser jogador dele. Tenho a hombridade para dizer isto. Tudo o que eu possa dizer agora – que é bom, o que eu tenho a dizer é bom – faz-me sentir sempre que estou a engraxá-lo. E eu não gosto disso, não me sinto bem.
Mas o que eu posso dizer nesta altura que sou jogador dele é que é apaixonado por aquilo que faz, e quem acompanha isso com ele, quando anda ao seu lado nisso, quem também quer ser assim, quem também quer dar tudo ao futebol – e o futebol é a nossa vida, é o que nos dá dinheiro no final do mês, temos que respeitar o futebol e dar-lhe o que ele nos dá a nós – tem 100% de hipóteses de ter sucesso ao lado do Jorge Jesus. Ele dá “24 horas sobre 24 horas” ao Belenenses, é o primeiro a chegar e o último a sair. Farta-se de ver jogos, farta-se de ver vídeos, repete o mesmo jogo vezes sem conta quando temos que perceber o que falhou. Não te larga “do pé” quando sabe que tu não estás bem em determinado aspecto, insiste contigo...
Às vezes tem aquele ar dele que parece que está a gritar, parece que está a desbaratar o jogador todo, mas também cabe ao jogador interpretar aquilo, interpretar o que ele quer dizer com aquilo. O jogador que perceba isso tem, na minha opinião, quase 100% garantido de pelo menos saber que o Jorge Jesus conta com ele.

BAM – Tal como tu próprio, Jesus renovou o seu contrato com o Belenenses, indo o treinador azul permanecer no Restelo até pelo menos 2010. A duração do teu contrato é uma preocupação para muitos belenenses. Introduzo aqui uma pergunta (questão que também foi veiculada pelo associado Bruno Nunes) do associado João Azul: “Sendo que o seu contrato acaba no fim da época, qual é a sua ideia. renovar? ou sair?”,

Cândido Costa: Eu tenho uma relação muito boa com o presidente. Assinámos o contrato para esta época e com mais uma de opção do clube. Mas eu fiz um pacto com o presidente e ele fez um pacto comigo. Olhos nos olhos. Que é: eu vou ficar sempre no Belenenses enquanto o Belenenses quiser que eu fique. Disse-lhe isso nos olhos, e ele disse-me isso a mim também. Enquanto ele cá estivesse, um jogador como eu, para ele, era sempre das primeiras escolhas. E ficou assim. Não é por eu ter um contrato só até ao final desta época que isso iria significar alguma coisa. Não significa nada. A palavra conta tudo, e conta tanto que até se falou também do caso de chegar aqui alguém no final da época a oferecer o dobro do que eu ganho no Belenenses. Não hás de querer ir embora, perguntou-me o presidente? Eu digo assim: se ganho o dobro, tenho filhos, sou novo, é uma coisa a ponderar.
E para não haver essa dúvida, para não criar susceptibilidades de dizer assim: então só assinou um ano e quando este acabar ele vai-se embora, eu coloquei a opção do lado do Belenenses.
Eu também poderia dizer assim: então assinar um contrato de três anos não é também um bocado cómodo? “Tenho três anos de clube, tenho tempo...”.
Não é pouco inteligente, hoje em dia, o clube funcionar assim, fazer contrato de ano a ano, com uma opção para accioná-la. Também obriga o jogador a trabalhar e a ter que jogar, a querer jogar. Porque se não jogar, acaba a época e tem pouco mercado, e outros clubes também não o querem. Obriga o jogador a trabalhar mais do que tendo um contrato confortável durante quatro anos. “Se não jogar este ano, jogo para o próximo, ou no seguinte...”
Acho que o jogador também tem que ter objectivos, não pode ter a vida toda facilitada. O jogador também tem que fazer pela vida.

BAM – Portanto, existindo a opção de mais uma época, permanecerás no clube pelo menos até 2009. Com o teu conhecimento interno do clube (e com uma certa dose de futurismo sempre imprevisível ) és capaz de imaginar como será o Belenenses em 2010 – ano de término do contrato de Jorge Jesus? Poderá, por exemplo, lutar por uma classificação que dê acesso à liga dos campeões?

Cândido Costa: Se o clube mantiver a estrutura, se o clube de facto mantiver o mister Jorge Jesus e tudo isto que o rodeia – neste momento o Belenenses está pujante – acredito que sim, acredito que o Belenenses possa começar a época não com um discurso “de que iremos tentar fazer mas que será difícil, vamos até onde esta equipa pode ir”, mas com um discurso mais já mais seguro: “Nós vamos de certeza lutar para a Liga dos Campeões, e se não o conseguimos será um fracasso”.
Isto é muito simples na minha opinião. Ao treinador tem que ser dado tempo e depois, se aparecer o sucesso, das duas uma: o sucesso foi tão grande e surgem factores externos que obrigam a libertar esse treinador, caso de um grande clube chegar e apresentar quantias irrecusáveis, sem que seja possível segurá-lo; ou então é ter a coragem de acreditar naquilo que foi o sucesso e saber que aquele é o caminho. Saber que o Belenenses, com estas pessoas, tem um caminho. Ninguém consegue nada por acaso, ficar em quinto lugar e ir à final da taça por acaso. As pessoas que cá estão sabem o que é ter sucesso e sabem o que é ganhar jogos. E não é, por exemplo, por o Belenenses neste início de época ter feito alguns resultados menos bons, que não tem 10 pontos e que já está na luta; que já não está colado a eles e que não está capaz de ganhar um jogo e se duas ou três equipas perderem já está lá em cima, em 4º ou em 5º. É preciso haver confiança na equipa, e não o que é hoje azul, amanhã já é verde. As pessoas tem de ter confiança, que dizer “este é o caminho”: independentemente de alguma derrota, “este é o caminho”. Vê-se que a equipa está estruturada, que as coisas vão funcionar. É assim que as equipas grandes conseguiram e conseguem ter sucesso.
Já joguei numa equipa grande e sei que só quando há rotinas, só quando há mística é que as coisas funcionam. Porque é que o porto, por exemplo, teve e tem anos dourados? Por que os jogadores que chegavam tinham muita qualidade mas, sobretudo, por havia ali toda uma cultura, uma união muito forte entre os que ficavam que tornava mais fácil aos que chegavam abraçarem e apreenderem o clube. Tudo funcionava dentro e fora do balneário e os jogadores acreditavam que o melhor para o seu sucesso era aquilo. Mesmo que às vezes não se ganhe.

BAM – Regressando às 4 linhas, e sendo certo que o importante é jogar, pensas que o lugar de defesa lateral direito se enquadra bem com as tuas características? A tua faceta “guerreira”, combativa e, simultaneamente, técnica, não produzirá melhores resultados no meio campo, onde tens mais liberdade para colocar em prática o teu futebol criativo e irreverente? Esta questão foi colocada por diversos associados, entre os quais o Henrique R.: “Cândido, onde gostas sinceramente mais de jogar? A lateral ou como médio de ataque?”

Cândido Costa: Ser lateral direito está a ser uma coisa nova para mim. Para mim e para vocês, adeptos, ao verem-me nessa posição. E sei que no ano passado fiz a época numa posição mais avançada, a médio, e tenho qualidades para jogar ali. O discurso decorado que “eu jogo onde o mister quiser”, não é por aí que eu vou. É mais pela minha opinião pessoal: para mim, estar no 11 do Belenenses ao fim-de-semana, é mesmo motivo de orgulho. Cada fim-de-semana que passe eu sei que preciso lutar para na jornada a seguir estar lá outra vez. É muito difícil, como já te disse, jogar hoje no Belenenses, é mesmo muito difícil. Pela qualidade que a equipa tem, pelas rotinas que a mesma já adquiriu, é muito difícil jogar na equipa titular do Belenenses. E se calhar, jogadores que são figuras noutras equipas vinham para o Belenenses e não sei se encaixavam. É complicado jogar no Belenenses. Quando eu vou para lateral direito – é aí que o Jorge Jesus me está a ver, a fazer essa posição – tenho que me sentir lisonjeado. Porque ele acredita em mim e acha que eu posso ser um grande lateral direito com as minhas qualidades. E quando começar a conhecer melhor a posição, poderei aparecer como gosto, de trás para frente, poderei ir à linha como gosto de ir. O mister Jesus acredita nisso e eu, como acredito nele, estou a tentar tudo para ser este lateral direito que falei.

BAM – Mas por vezes pareces receoso de ir à linha final, de subir mais no terreno...

Cândido Costa – Às vezes passa por tu saberes qual o momento certo para atacar naquela posição. Quando se faz recuar um médio para lateral ele vai estar sempre, nos primeiros tempos, a saber que está ali mas que a sua posição não é aquela. Isso vai criar sempre algumas indecisões relacionadas com a falta de rotina. A lateral, a médio ou a extremo eu quero é estar no 11, e dar o meu melhor: defender bem e também, quando tiver que atacar, fazê-lo da melhor forma.

BAM – Mas pensas que será uma adaptação circunstancial, relacionada com o plantel actual, ou que poderás fazer carreira nessa posição?

Cândido Costa – Neste momento, é assim que o mister me está a ver, e eu só tenho que dar o meu melhor. Mas tenho a consciência que a maioria da malta aqui me prefere ver mais à frente. Vão-me chegando opiniões, e eu compreendo isso, mas eu tenho é que dar tudo de mim, seja em posição for.

BAM – Vou-te fazer agora a pergunta que afirmaste que nunca te fizeram mas que gostarias que te fizessem (risos do Cândido).
“O que pensas do mundo do futebol e dos homens de gravata que o rodeiam?”

Cândido Costa: É uma pergunta que é original. Eu disse isso num contexto em que estava a sentir alguma coisa, em que queria dizer alguma coisa; por isso fiz a pergunta. Fiz a pergunta para ir de encontro de quê? Penso que existem algumas pessoas no futebol que acabam por ter muito protagonismo para aquilo que de facto lutaram pelo futebol. Vamos falar de ti Alcides. Se calhar tu, que gostas muito de futebol, que gostas muito do Belenenses, nunca tiveste 1% do protagonismo que algumas pessoas que fizeram muito menos que tu pelo futebol, pelo teu clube. Foi isso que me levou a fazer essa pergunta.

BAM – Ou seja, o futebol deveria ser dos adeptos, e estes deveriam ser mais considerados...

Cândido Costa: Revolta-me às vezes algumas pessoas terem acesso a algumas coisas que o adepto normal não tem, que fica triste quando o clube perde, que tenta ajudar o clube no que pode e não tem protagonismo nenhum.
Certos indivíduos entram no futebol de pára-quedas, não se sabe bem porquê, como de repente têm certos cargos e até podem andar no mundo do futebol e até podem dar algumas entrevistas para os jornais. O que é que estás pessoas fizeram, do que é que abdicaram, o que é que estudaram...
São pessoas que parecem entrar no futebol só pela posição financeira que têm. Parece que, hoje em dia, para entrar no futebol, basta ter dinheiro e aparecer a dizer que sou do benfica ou sou do Belenenses, arranjar mil ou dois mil contos...
O que me dá a entender é que o dinheiro hoje em dia compra o protagonismo no futebol...

BAM – Esse é o futebol a que chamo “futebol moderno”, ou seja, o futebol dos clubes/empresa, o futebol enquanto fenómeno cada mais televisivo, com jogos à 2ª feira e tudo o mais. Já não é o futebol dos adeptos, mas sim o futebol dos accionistas...

Cândido Costa: Eu acho que as empresas e as acções, e a parte do gerir o negócio futebol, nunca deveria interferir com o outro lado do futebol: o futebol paixão, o futebol dos adeptos, o futebol da relva, da bancada quando se critica ou aplaude um jogador. Deveriam ser dois mundos paralelos. Eles podiam entrar, os accionistas e todas as pessoas ligadas ao rentabilizar do futebol, mas deveriam manter-se nos escritórios.

BAM – Mas as coisas, inevitavelmente, não deixam de estar interrelacionadas. Por exemplo, no bessa, o Belenenses jogou numa 2ª Feira, às nove e meia da noite. Como é que um adepto de Lisboa, por exemplo, vai para o Porto, e chega depois às cinco da manhã para ir trabalhar às oito?

Cândido Costa: A pergunta que eu acabei por fazer a mim próprio foi uma forma de eu exigir o valor que tem de ser dado ao adepto. Por que é que os adeptos são sempre prejudicados? Por que é que eles, quando não vão ao estádio uma vez, são logo acusados por os estádios estarem vazios? Complicam-lhes a vida toda, metem os jogos na televisão tarde, a dias de semana... Como é que os adeptos de Lisboa, por exemplo, se podem deslocar para o norte num dia de semana tendo trabalho no dia seguinte? Os bilhetes são caros, não dão condições nenhumas, no intervalo não há nenhum espectáculo não há nada. Não fazem nada pelo adepto, só exigem x´s euros para que se possa ver o jogo, e os de fato gravata são os maiores e a gente ainda vai comprar o jornal para ler as entrevistas deles...

BAM – Sentes que o futebol inglês, onde já jogastes, conseguiu encontrar alguma equilíbrio entre o futebol actual e o respeito que se deve aos adeptos?

Cândido Costa: Ali é reciproco. O adepto tem respeito pelo jogador e o jogador tem respeito pelo adepto. Em Portugal, o mais prejudicado no meio disto tudo é o adepto. É a minha opinião. Só existe uma maneira de se ver o futebol. As únicas pessoas capazes de o fazer são os adeptos. O jogador anda nisto pelo dinheiro, porque é a sua profissão mas para ganhar o seu no final do mês; a liga, a federação e os clubes todos eles precisam de dinheiro; o adepto é o único que está no futebol para gastar dinheiro. E se não vier, se os adeptos de futebol em Portugal fizessem boicote aos jogos, alguém consegue imaginar o quão cinzenta seria essa jornada?

BAM – Mas a verdade é que o telespectador em casa acaba por ser muito mais considerado em relação a um adepto que se desloca ao estádio. As jornadas estendem-se por quatro dias, dois dos quais em dias de semana...

Cândido Costa: Em Inglaterra como é que eles conseguem ter os estádios cheios? Através de várias acções de marketing. Tem que se colocar na cabeça do adepto que vir ao estádio do Restelo a um Sábado ou a um Domingo é uma festa. Escolher, por exemplo, dias abertos, em que por sorteio alguns adeptos pudessem acompanhar a equipa na pré-competição, estarem dentro do balneário com os jogadores. Criar chamarizes para os adeptos virem, animação do relvado antes e no intervalo do jogo; conviver com os jogadores; é preciso fazer a interligação entre a equipa e os belenenses.
Em Inglaterra havia dois adeptos que todos os jogos eram escolhidos para estar dentro do balneário. É importante sentir todo o ambiente que antecede o jogo, o que é que o Cândido diz ao Silas, o que é que o Silas diz ao Cândido... A adepto ganha mais ligação com a equipa, fala com outros adeptos acerca da sua experiência e estes também vão querer ir lá e tudo isto chama gente ao estádio. Fazer com o que dinheiro que o adepto paga não seja somente para o jogo em si, mais para um espectáculo mais abrangente, com actuações no relvado e tudo o mais.
Investe-se pouco, por exemplo, no jogo de apresentação. Devia haver magia à volta da apresentação dos jogadores, devia-se fazer aqui no Restelo uma festa espectacular, fazer uma brincadeira onde alguns adeptos pudessem jogar com os jogadores por alguns minutos. Isto são coisas que funcionam: dar a possibilidade ao adepto de conhecer os jogadores como homens, ter outra perspectiva do que é um brasileiro estar cá, falar um bocado com ele, saber o que ele sente ao representar o clube. Isto é importante para os adeptos. Eu sei isso.
Lá em minha casa somos muitos, e só eu é que sou jogador de futebol, o resto é tudo adeptos. Eu sei o que um adepto sente.

BAM – Já que estamos a falar de adeptos... Tens uma ligação especial como o grupo ultra do Belenenses, à Fúria Azul. Sendo tu a pessoa emotiva que és, é importante para ti ter apoio vindo das bancadas, ser acarinhado por quem tanto gosta do Belenenses? A pergunta parte também do associado Fred Furioso que deseja saber “Qual é a sensação de ouvir uma musica com o seu nome em pleno jogo pela Furia Azul, e como é saber que é um jogador bastante acarinhado pela Adeptos...”

Cândido Costa: Respeito muito o adepto que está na bancada, respeito muito o facto da Fúria Azul, sem qualquer obrigação, me aplaudir quando eu saio, quando cantam o meu nome. Respeito muito isso. Ninguém é obrigado a fazer aquilo por mim, eu não lhes dei nada. Respeito muito isso.

BAM – A verdade é que dás...

Cândido Costa: Posso dar, mas naquele adepto que está ali a cantar o meu nome entusiasticamente sei que está alguém que acredita em mim e tem orgulho por eu ter a sua camisola vestida, tem orgulho por ser do Belenenses, gosta do Cândido Costa, e defende-me sem eu estar presente. Respeito isso. O meu irmão foi durante muitos anos membro de uma claque e sei o que é ser apaixonado por um jogador. Estou sempre ao dispor da Fúria Azul seja para o que for. Aquilo faz parte da minha vida, tenho que ser honesto para com as pessoas que cantam o meu nome, que fazem esforços para estar presentes em todos os jogos. Eu não permitiria a mim próprio nem a quem estivesse ao lado faltar ao respeito a isto, aquele sector da bancada, aqueles jovens e adeptos fervorosos do clube que estão ali a apoiar e a dar o melhor de si para defender o clube em todo o lado. Seria uma falta de respeito tremenda não saber perceber a paixão daqueles rapazes.

BAM – Não sei se tens a noção – és capaz de ter – que a massa adepta belenense te vê enquanto um jogador diferente, se sente mais próxima de ti e do que representas dentro e fora das quatro linhas. Pergunta o associado Miguel Amaral: “Como pessoa comunicativa e alegre, peço que transmita essa suas características para o resto do plantel e por favor faça ponte entre esses jogadores mais tímidos com os adeptos. Está disposto a esta tarefa?”
No mesmo sentido, o Nuno e de Ana, de, respectivamente 14 e 10 anos, perguntam:
“Já te vi dar a camisola e os calções no fim do jogo. Porque não ensinas outros jogadores do belenenses a gostarem tanto dos sócios como tu? Diz-lhes para não serem tímidos e ajudarem outros rapazes e raparigas da nossa idade a serem do nosso clube”.

Cândido Costa: É uma pergunta interessante vinda de miúdos de 14 e 10 anos. Tem um bocado também a ver com o feitio. Existem muitos jogadores do clube que adoram o Belenenses, que têm muito prazer em estar aqui... Eu não posso ser igual a eles, nem eles iguais a mim, nem eu sou melhor, nem eles são piores. Naquilo que são os meus defeitos, alguns dão-me dez a zero em qualidades, naquilo que às vezes alguns falham eu consigo superá-los. Faz parte da lei da vida, não podemos ser iguais em tudo. Essa parte da ligação dos jogadores com os adeptos não é por maldade, o feitio deles não lhes permite ser tão efusivos ou tão abertos de coração. Eu sou uma pessoa que se emociona muito facilmente e às vezes apetece-me ir para a bancada cantar também. Outros custa-lhes mais em dar a entender alguma coisa em termos emotivos e mantêm sempre aquela posição de jogador de futebol, muito “perfeito”, muito “direito”. Não se entregam às vezes ao calor das coisas. Eu sou mais de ir para lá cantar com eles e sentir o clube.
Mas o dar a camisola e os calções qualquer um pode dar. As pessoas têm que me achar lutador, raçudo e honesto. Já vi muita coisa no futebol que não passa de “show of”, já muitos jogadores a dar até as meias e a saírem de lá “todos” nus, mas depois são uns “chupa-sangue” tremendos. Lá dentro é que tens de dar tudo, porque camisolas cá fora é mais uma forma de reconhecimento, também dar um brinde a quem lá está e receber uma camisola.

BAM – Termino com uma provocação: apesar do teu filho, o Rafinha, fazer apenas 5 anos em Dezembro, já conseguiste fazer dele um portista ferrenho (como afirmaste que pretendias quando ele nasceu) ou, pelo contrário, temos nele um futuro grande belenense?

Cândido Costa: Eu vou-te dizer isto: ele tem quatro anos – e eu faço mesmo isto se vocês quiserem – e se lhe perguntares, sem eu dizer nada, qual é o seu clube (podem “massacrá-lo”, insistir para ele dizer que é do porto) ele vai dizer que é o Belenenses. Ele, numa idade importante em termos de se exprimir e tudo o mais, apanhou o pai a jogar no Belenenses, dei-lhe uma camisola azul, e então ele diz que é do Belenenses. Os miúdos têm de ser aquilo que são. Ele diz também porque vem ver os jogos, vê-me de azul e dei-me uma camisola da final da taça que ele gosta de levar para escola. Então diz que é o do Belenenses, que é diferente - porque eu lhe disse se lhe perguntarem porque é que é do Belenenses para ele dizer que é por ser diferente, não querer ser dos “grandes” porque é diferente. É assim, e o miúdo diz agora que é do Belenenses em todo o lado.

Entrevista Belém até Morrer: Cândido Costa.

Cândido Costa simboliza dentro das quatro linhas a vontade, a garra e o querer vencer e fora delas o jogador anti-vedeta, humilde e simples, que está sempre disponível para trocar algumas palavras com qualquer associado.
Mais do que o entrevistador, o entrevistado é chave do sucesso de qualquer entrevista. O número 27 belenense é um conversador nato e, mais importante, o seu olhar brilha quando fala do Belenenses. Perante tais predicados, aquilo que era uma entrevista – sempre com um certo grau de formalismo – transformou-se em algo que facilmente poderemos classificar de (longa) conversa entre dois belenenses que vibram e que pensam o clube para lá dos aspectos meramente futebolísticos.
Quanto aos agradecimentos, o primeiro terá forçosamente que ter como destino o Cândido Costa, ficando reservados os restantes para todos os leitores do Belém até Morrer que expressaram perguntas ao jogador e transformaram esta entrevista em algo mais abrangente e interactivo .

Belém até Morrer - Iniciaste a tua carreira no clube da terra natal, a Sanjoanense, com apenas sete anos de idade. Pode-se dizer que nasceste para ser futebolista ou, pelo contrário, foi apenas um acaso (sei que também jogaste hóquei em patins quando eras mais novo)? Que história está por detrás do teu nascimento para o futebol?

Cândido Costa: Foi de facto assim. Comecei a jogar futebol na Sanjoanense aos sete anos, foi o meu pai que me levou lá às camadas jovens. De resto foi tudo normal, tal como os jogadores que começam hoje passei por treinos de captação e essas coisas. Não foi com essa idade – apesar da vontade que tinha de jogar futebol – que achei que tinha alguma particularidade diferente, que queria ser jogador profissional. Talvez a pessoa mais importante terá sido o pai, que sempre acreditou, que sempre achou que eu iria ser jogador de futebol, que eu iria dar nas vistas. Foi um percurso normal como o de tantos outros jovens.

BAM - E como foi a tua história enquanto hoquista?

Cândido Costa: Na altura andava um bocado a descobrir aquilo em que eu pudesse ser bom, e o meu pai levou-me a um treino de hóquei, também na Sanjoanense. Foi uma barracada (risos). Fazia carrinhos aos outros jogadores porque transportava um bocado a ideia do futebol que era o desporto que acompanhava mais, e então dava grandes porradas. Acabaram por dizer ao meu pai que eu não podia treinar lá mais. Mandaram-me para o futebol...

BAM - Entretanto, aos 15 anos, ainda enquanto juvenil, ingressaste no Benfica, ou seja, tiveste de abandonar São João da Madeira e vir viver para uma grande cidade como é Lisboa. Como encaraste este enorme salto na tua vida? Foste obrigado a “crescer” demasiado depressa?

Cândido Costa: Eu sou uma pessoa – se hoje ainda o sou, na altura era ainda muito mais – muito apegada à minha família, aos meus irmãos e aos meus pais, tenho a relação que acho que toda a gente deveria ter com os pais. Sou amigo deles, e eles são meus amigos também e na altura custou-me muito separar-me do meu meio familiar, da minha terrinha. Obrigou-me a crescer rápido, aquilo que os jovens normalmente têm um período maior para sofrer essas coisas da vida, as desilusões, as experiências, eu vivi tudo muito rápido. Quando vim para Lisboa viver ia fazer 15 anos, e nunca tinha bebido uma cerveja na minha vida, por exemplo, representava mesmo aquela ideia que se tem do jovem da terrinha, saído da saia da mãe; eu era um bocado assim. Quando vim para cá tive que me virar sozinho mas isso também me fortaleceu, também me deu uma visão e um querer que isso valesse a pena, que mais tarde fosse recordado como algo que valeu a pena. Penso que também dai vem um bocado a minha personalidade, o ter crescido rápido e sozinho até conhecer, aos 17 anos, aqui em Lisboa, a rapariga que viria a ser a minha esposa. Foi um período um bocado complicado para mim, também tive uma lesão grave, em que tive de apelar ao meu espírito de guerreiro sem dúvida.

BAM - Como foram aquelas primeiras noites num ambiente estranho, sem conhecer ninguém...

Cândido Costa: Complicadíssimas. Escrevia cartas à minha família, ao meu pai, foi um período em que eu vi o preço que se paga em querer ser jogador de futebol e nestas idades ter que abdicar de algumas coisas. Sentia falta de tudo, dos meus colegas da altura da escola, do meu meio, de onde tinha nascido, das minhas brincadeiras no meu bairro. Foi um período que mexeu e que ainda hoje mexe. Foi um vazio muito grande que ficou.

BAM - Enquanto pai (nota: o Cândido tem dois filhos) como encararias a situação dos teus filhos irem jogar para uma cidade a quase 300 quilómetros de distância, fossem morar para longe de ti, completamente sozinhos. E hoje em dia isso acontece com crianças mais pequenas, 13, 14 anos de idade, que até podem ser de um país diferente, e vão para as grandes cidades para jogar futebol sem terem qualquer certeza que irão vingar, que seguirão a carreira de futebolista... Como pai, como verias uma situação dessas.

Cândido Costa: É muito difícil. Eu na altura não tinha a consciência daquilo que os meus pais estavam a sofrer... este um tema muito complicado para eu falar. Na altura não tinha essa consciência, e agora tenho uma ideia muito exacta do que seria deixar um filho ir à procura de um sonho para longe de nós. A gente cria os filhos, e tenta lhes dar tudo e depois de repente eles saem de casa com 14 anos, e nós, enquanto jovens com essa idade, na altura pensamos que somos capazes de tomar conta de nós. Mas agora vemos que não é bem assim. A vida é complicada, e para o meu pai e a minha mãe terá sido provavelmente a pior decisão da vida deles em termos emocionais.
Mas eu penso que no meu caso pessoal o final da história é feliz. Soube afastar-me das coisas más, soube procurar a felicidade, soube sofrer, e nunca fui nem iria pela via mais fácil na vida. Gosto de lutar pelas coisas, com sucesso ou sem ele sou uma pessoa que nunca vira a cara à luta e penso que essa é a melhor forma de retribuir aos meus pais esse sofrimento e essas viagens constantes a Lisboa para me ver e as facilidades não eram muitas. Os meus pais viveram sempre, como a maioria dos portugueses, com o dinheiro contado...
É um cantinho que eu guardo meu, algo que eu transporto da minha juventude, essa fase de separação dos meus pais é uma coisa que eu quero sempre me lembrar bem, como me estou a lembrar agora do que foi. Ajuda-me às vezes, nalguns momentos da minha vida, a tomar decisões e a ser um tipo de pessoa honrada e que pode olhar nos olhos de toda a gente porque se estou onde estou, se estou no Belenenses, foi porque lutei por isso.

BAM - Sem dúvida valeu a pena teres perseguido o teu sonho e depois do Benfica tiveste uma curta passagem pelo Salgueiros antes de ingressares no FC Porto. Nas Antas tiveste épocas melhores, outras piores, e acabaste nas épocas finais dessa tua passagem por seres emprestado primeiro ao Setúbal e depois ao Derby County de Inglaterra. De regresso a Portugal actuaste duas épocas no Braga até finalmente envergares a cruz de cristo ao peito.
Introduzo aqui uma pergunta de um associado, de seu nome O. Rodrigues:
“O que encontraste de diferente no Belenenses que te proporcionou o relançamento da carreira, o reconhecimento do teu imenso valor desportivo e a simpatia dos adeptos?”

Cândido Costa: Eu quando vim para o Belenenses tinha um propósito muito claro. Tinha estado dois anos no braga, na primeira época joguei com bastante regularidade, na segunda não tanto. Cheguei a um ponto que nem eu nem os responsáveis do braga nos sentíamos bem a trabalhar juntos.
Eu sabia que vir para o Belenenses seria para mim uma prova de fogo. Depois de ter sido uma das maiores promessas do futebol português aos 18, 20 anos, foi-me dada alguma credibilidade. Mantive-a quando fui para Inglaterra, onde joguei sempre e fui uma das figuras da equipa da altura. Braga tirou-me essa credibilidade, essa notoriedade, então eu sabia que o meu ingresso no Belenenses seria uma prova de fogo: ou seria a eterna promessa e nunca ia de facto ter consistência, ou não. Eu sabia, naquela altura que vim para o Belenenses, que tinha que escolher um clube com o qual eu me identificasse. Eu senti isso. E quando sai do braga tinha vários sítios para onde ir e só fui inscrito no último dia do período de inscrições por isso, por causa daquela confusão com o “caso Mateus”.
Eu apostei tanto no Belenenses – e não tenho problemas em dizer isto – que vim ganhar nem metade do que ganhava em Braga e vim no último dia de inscrições sujeito a ir para a 2ª divisão. Não havia certezas de que o Belenenses ficasse na 1ª divisão. Tinha mais um ano de contrato com braga e abdiquei do dinheiro porque senti que estava a fazer a aposta da minha vida. Sabia que tinha de vir para cá e dar o melhor de mim, e o melhor de mim sempre foi – mais do que as coisas saírem bem dentro de campo – eu sentir que as pessoas do Belenenses teriam que me reconhecer como na altura eu fui reconhecido no porto, por exemplo: um jogador à imagem do clube, um jogador que dá tudo, que é honesto, que dá prazer aos sócios ter alguém dentro de campo como o Cândido. E basicamente, foi isso que eu tentei encontrar no Restelo.
Quando cheguei cá, vi que tinha possibilidades de fazer isso, com o treinador que temos, com a massa associativa que tem o Belenenses, com a juventude que há, que adora o clube. Eu senti que estava perante um clube onde eu poderia ser outra vez o Cândido, que as pessoas gostam, acarinham e se sentem bem por eu vestir a sua camisola. Foi um bocado isso que eu procurei.
Senti também, com esta imagem que o treinador tem - que gosta do que faz, que é apaixonado, que vive para isto -, que estavam reunidas as condições para eu puder relançar a minha carreira.

BAM – De facto, apesar de te encontrares no Restelo há pouco mais de um ano, muitas vezes temos a sensação que jogas no Belenenses desde sempre, tal é a forma como vives o clube e como os sócios te acarinham. A pergunta do associado V. Paiva vai precisamente neste sentido: “O que sente ao envergar a camisola de um clube como o Belenenses, ao demonstrar uma grande vontade de vencer?”
O Belenenses actual – o Belenenses de Jorge Jesus – “tem” a tua cara, ou seja, é um clube humilde, generoso, combativo e, simultaneamente, geneticamente vitorioso, um clube que tem historicamente os genes da vitória?

Cândido Costa: Gosto muito. Eu não sou a melhor pessoa para falar da história do Belenenses porque não a sei em pormenor; sei alguma, não a sei toda. Tentando ver o clube aos olhos dum jogador qualquer – mesmo aquele jogador que chegou agora ao Restelo – fica claro que o Belenenses é um clube especial. Então vejamos: o Belenenses está situado numa zona em que mais nenhum clube oferece isso. Nenhum outro clube possibilita ao jogador trabalhar numa zona tão bonita como esta; é um clube cumpridor. É um clube que não deve nada aos jogadores, apesar de ter passado por um período complicado e ter descido desportivamente de divisão, ter tido esse processo complicado que mexe com tudo e mais alguma coisa. Não tem o estádio cheio, não tem casas cheias, mas eu sinto que, se o Belenenses fizer uma época como a que fez no ano passado, muita gente há-de querer vir novamente ao Belenenses. A gente às vezes conversa, por exemplo, como é possível contra o Bayern de Munique não termos enchido o estádio. Era o Bayern de Munique. Que outro clube mais forte poderá vir jogar ao Restelo?

BAM - Os jogadores tiveram noção dos preços dos bilhetes?

Cândido Costa: Era isso que eu ia dizer. A política que se calhar tem de ser adoptada é que mais vale, nesta fase, não olhar tanto ao lucro que um estádio mais ou menos cheio com bilhetes caros possa dar em termos monetários, mas ao que ao nível sentimental pode dizer aos belenenses ver o estádio cheio. O que é que iria significar mais: a gente aqui ter tido 6000/7000 pessoas no jogo com o Bayern de Munique a pagar 40 euros? Ou teria sido melhor ter o estádio cheio com os preços mais baratos? Teria sido melhor perder algum dinheiro – mesmo se fosse o caso – mas ganhar uma “fotografia” de um estádio cheio, acreditar que poderia ser sempre assim. Para aquele belenense – que é o teu caso – que vem sempre ao Restelo seja com quem for, nada iria dar mais convicção do que ter o estádio cheio, DE QUE é possível ter sempre o estádio cheio.
O que é que isso criou? Criou a imagem que nem Bayern de Munique enche o estádio. Para as pessoas que vêm cá todos os dias, é desanimador. E isto é marketing. Eu acho que o Belenenses tem de apostar mais no marketing, levar mais gente ao Restelo.
Não existe clube como este. Eu começo a perceber o que é um jovem que hoje é do Belenenses. Ser do Belenenses é um bocado ser da moda, porque ser do benfica ou do sporting é vulgar. Ser do Belenenses, e fundamentar porque se é do Belenenses, porque é que com dois clubes grandes aqui tão perto se escolheu ser do Belenenses, é magia. Tem que se ir por ai para cativar mais pessoas: Ser do Belenenses é ser diferente.
Que outro clube senão este conseguiria ainda estar vivo e com força ao lado do benfica e do sporting? Achas que o braga sobreviveria aqui? Achas que o Guimarães sobreviveria aqui, teria a força que tem a nível de sócios? Nunca na vida!
Digo isto a acreditar: é possível pôr mais gente, o Belenenses ter mais jovens, mais gente a aderir à Fúria Azul. Acho que é possível.
Estou aqui somente há pouco mais de ano, mas gostava de ver isto diferente. Às vezes estou a entrar para o aquecimento e estou a pensar como vai ficar a casa, se vai estar mais gente do que é habitual. Eu gosto de jogar com o estádio cheio. Com a minha forma de jogar isso é muito importante. Sentes carinho.

BAM – Não obstante teres apenas 26 anos (e o FC Porto ser o clube do teu coração desde criança) pensas puder vir a ser uma grande figura do Belenenses? À semelhança do Tuck ou do Figueira permanecer muitos anos no clube enquanto futebolista e depois continuar no Restelo noutra qualquer função?

Cândido Costa: A questão do pensar nisso é um bocado subjectiva. Eu não seria 100% coerente com o meu discurso se viesse aqui dizer que penso nisso ou não. A única coisa que eu quero de facto – e isso quero mesmo, independente de serem 2,3,4, 5 anos que eu permaneça aqui – é olhar as pessoas nos olhos sempre que cá voltar. Gostaria de ser sempre bem recebido e ser uma pessoa à qual ninguém tivesse nada que apontar. Nada melhor que as pessoas pensarem em mim enquanto um jogador que deu tudo pelo Belenenses e respeitou o Belenenses até ao último minuto. Agora estar ligar ao Belenenses ou não, isso... só o faria se o Belenenses quisesse.

BAM – Mas qual é a tua vontade? A pergunta do associado Tiago Valadas Pinho enquadrasse aqui na perfeição: “Cândido Costa, sentes uma emoção/paixão diferente, a jogar com a cruz de cristo ao peito do que a jogar com a camisola, por exemplo, do braga?”

Cândido Costa: Quero dizer isto: ainda não joguei num clube onde me identificasse mais do que com o Belenenses. Nem no porto, e nunca escondi – até por razões de origem – que a minha família foi sempre toda do porto, nasci portista e sou do porto. Dizer o contrário seria estar a ir contra milhares de pessoas que sabem isso. Fui sempre do porto, e quando estou a ver futebol e o porto está a jogar contra o benfica, quero que o porto ganhe. É esse o meu clubismo. Claro se eu jogar contra o porto pelo Belenenses, quem me dera a mim dar 15-0 a eles e acabar com olés. Sem dúvida. Aliás, não havia outra razão de ser.
Agora, clube com o qual eu me identifico mais, em que eu me sinta tão feliz em jogar e em representar nunca o senti como no Belenenses. A zona onde o clube está, o carinho que as pessoas me dão e o prazer que eu tenho em chegar aqui de manhã, antes do treino, a esta zona aqui do Restelo, nunca o consegui em clube nenhum.
O adepto do Belenenses é uma pessoa que sabe ver futebol, que respeita os jogadores quando são honestos. Nunca mais me esquecerei que no ano passado – e eu digo isto a muita gente, inclusive a outros jogadores -, depois do clube ter feito uma época anterior horrível, perdemos em casa nas primeiras jornadas e a malta levantou-se e bateu palmas à equipa. Nunca mais me esquecerei disso. São jogos que eu nunca mais vou esquecer. Nessa altura ninguém adivinhava que íamos fazer a época que fizemos. Isso para mim foi uma prova que na realidade o adepto do Belenenses quer honestidade, trabalho e que a equipa dignifique a camisola do Belenenses. Quer vitórias como todos os outros, mas ao verem estes aspectos que referi dentro de campo conseguem aceitar muito melhor a derrota quando comparada com aquelas derrotas em que se vê que a equipa esteve completamente sem alma e sem chama.

BAM – Avançando para outros assuntos: representaste a selecção nacional em 79 ocasiões, onde chegaste a ser campeão europeu de sub-16.
Citando as tuas palavras, na selecção nacional “não há cor clubistica, não há contratos, não há interesses, apenas a vontade de dar o melhor pela nossa pátria”’
Aproveito para lançar a pergunta do sócio 4720: “Alimentas o sonho de regressar a selecção?”

Cândido Costa: Sem dúvida. Seja a lateral direito, a extremo direito, seja onde for, alimento esse sonho e gostava de um dia ser convocado para a selecção nacional.

BAM – Se actuasses a lateral esquerdo seria mais fácil...

Cândido Costa: Mas o pé esquerdo só para subir o eléctrico... Mas claro que alimento esse sonho. Até pelo meu feitio, tenho sempre que acreditar em alguma coisa.

BAM – Antes de abordarmos o futuro belenense, gostaria de recordar um pouco a época passada.
Quando chegaste ao clube – no contexto do “caso Mateus”, e tudo o mais - imaginaste ser possível uma classificação europeia e uma presença na final da taça de Portugal?
Como vias o Belenenses antes de aqui chegares, e como o vês agora?

Cândido Costa: É como te digo. Quando vim para cá sabia em que situação estava o Belenenses mas também sabia o que é o Belenenses e a sua força. Sabia que o Belenenses estava fragilizado, tinha descido de divisão, tinha tido uma época menos boa, mas sabia se calhar que essa era a altura perfeita para entrar no clube, porque se calhar a minha força, a minha maneira de ser, iria também dar alguma coisa ao balneário, aos meus colegas. Penso que consegui isso. Dentro de campo e fora dele, eu tenho tido a minha quota parte no sucesso e no insucesso. Sei, e se por acaso conversares acerca disto com os meus colegas, se perguntares isso de mim, que todos vão responder que eu sou uma mais valia em termos de força anímica, de grupo, de incutir espírito. E isso para mim é o máximo que me podem reconhecer, é sentirem que eu estou aqui de corpo e corpo. Para mim é a melhor satisfação que me podem dar nos treinos todos os dias é haver, jogando ou não jogando, ligação com os meus colegas, eles sentirem que eu estou com eles, com o clube, que o interesse é ganhar e fazer uma boa época.

BAM – Recordando ainda a presença do Belenenses na grande final do Jamor, um dos aspectos mais marcantes – pelo menos do ponto de vista de um adepto – foi o mar azul que invadiu as bancadas do estádio nacional. Como te sentes ao entrar num estádio do Restelo quase sempre vazio, sabendo que o Belenenses tem imensos adeptos um pouco por todo o país? Já afloramos este tema, mas gostava de desenvolvê-lo um pouco mais.

Cândido Costa: Aproveito teres falado da final da taça para dizer que foi a maior desilusão da minha vida. Temos perdido aquele jogo foi a maior desilusão da minha vida. O percurso foi tão lindo a meu ver, e se calhar mais para mim do que para ninguém, teve um sabor especial. O braga ter vindo cá e termos os eliminado, termos ido a Bragança e estamos a perder 1:0 quando faltava 14 minutos para o fim do jogo, há uma bola que está quase a sair na linha e eu mandei-me de carrinho – a bola já estava meio fora – e fizemos o golo do empate. Para mim termos apanhado quatro em Alvalade e a seguir tínhamos a final da taça, todo o filme do jogo estava-se a adivinhar para acabar em glória, e aquele cruzamento do Veloso e o golo do Liedson foi como quem me matou. Nas férias, aquele lance passou-me para ai 200 mil vezes pela cabeça. O que é que se poderia ter feito para evitar aquilo? Foi a maior desilusão da minha vida. Tinha o filme já todo imaginado, com a taça, como é que iria ser a festa... Seria o culminar de uma época, que não deixou de boa, mas foi um minuto de pura tristeza...

BAM – Olhemos agora para a presente época. Depois de uma excelente pré-época, o Belenenses teve um início de liga algo nervoso, situação aparentemente já ultrapassada. Como avalias estes dois momentos? O primeiro, menos bom, é explicável pelo facto de se tratar de período natural de adaptação para os novos jogadores?

Cândido Costa: Penso que o Belenenses está mais maduro, está uma equipa mais madura. Independentemente de termos começado com alguns resultados menos bons, penso que o Belenenses hoje é uma equipa mais madura. Manteve a estrutura do ano passado e é uma equipa mais “manhosa”. Penso que os reforços que vieram vão se entrosando ao ritmo e ao conhecimento que os jogadores já tinham entre si no ano passado, que foram ganhando no decorrer da época. Bastava olhar uns para os outros e sabíamos o que é que cada um estava a fazer dentro de campo. E isso está-se a começar a ver: o espírito que é preciso para jogar nesta equipa, no fundo todo aquele trabalho que o Jorge Jesus fez para criar um grupo forte, com identidade. O tempo que se deu no início da época passada é preciso dá-lo agora também aos que chegaram. Perdemos jogadores fundamentais na nossa manobra ofensiva e também defensiva, na manobra da equipa como um todo. O Nivaldo era importante lá atrás, tinha aquela presença dele de “machão”; era preciso compensar isto também, pormos ali alguém, os que ficaram encontrarem isso entre nós. Tínhamos muitas jogadas combinadas com o Nivaldo, e com outros jogadores da equipa. O Dady, a dada altura, começou a ser importantíssimo, uma peça fundamental em termos ofensivos – nós tínhamos muitas jogadas combinadas com o Dady.
Vieram outros, e foi preciso também apreender a sua maneira de jogar, e eles a nossa, habituarem-se às ideias de Jorge Jesus que é exigente, que é uma pessoa muito apaixonada por isto. É preciso ter um tempo de adaptação, perceber que aqui não se brinca: isto aqui é a 200%, é sempre a dar, treinos, jogos, treinos, jogos, não se pode adormecer um minuto. E nós na época passada captámos isso, embalamos em vitórias, vimos que esta fórmula resultava, acreditamos no que o treinador dizia, enfim, pensamos que, se fizermos isto, a gente ganha. E isso foi o que nos levou a ser uma equipa forte. E este ano, penso que os que chegaram também já estão a acreditar, já estão a acreditar que tem de ser assim, que não há volta a dar. Tem de ser a 200 à hora, para trás e para a frente, ajudarmo-nos uns aos outros. Só assim é que o Belenenses ganha. Não podemos viver à sombra de um “maradona”, de um jogador que pegue na bola e que faça desequilíbrios sozinho. Tem de ser o grupo, tem de ser a união, cada um conseguir pôr as suas qualidades ao dispor da equipa, dar-lhe todo o seu potencial. Acho que a equipa está a começar a entrar nesse caminho.

BAM – Tiveste a infelicidade de te lesionares num jogo muito importante. Como foi sofrer por fora nos restantes 75 minutos frente ao Bayern? Pergunta do associado 4720: “Que sentiu ao ter que ser substituído, por lesão, no jogo com o Bayern? De fora, sentiu que a equipa podia anular a desvantagem trazida de Munique?”

Cândido Costa: Acreditei, e com a primeira parte que a gente fez fiquei convicto que se ia fazer história. Os jogadores do Bayern têm uma experiência muito grande nestas andanças, e a bola muito perto da baliza deles não é golo por isso é indiferente; têm uma capacidade de análise grande e são muitos frios. Para nós, quando uma bola passa pertinho dos postes, já empolgamos, já achamos que irá ser possível enquanto os jogadores do Bayern apresentam uma grande frieza dentro de campo e parece que não foi nada com eles, parece que não se enervam pelo ambiente.
Senti que na primeira parte estávamos a crescer, estávamos a aparecer algumas vezes com perigo, enquanto os alemães continuavam naquela toada deles lenta, a gerir o 1:0 de Munique. De vez em quando aceleravam...
Têm muita experiência a nível europeu, sabiam que são duas mãos, sabiam que vinham com vantagem, sabiam o que é que vinham encontrar aqui, uma equipa mais pequena que eles a querer muito ganhar, sabiam que os primeiros minutos iam ser importantes para eles e acabaram por gerir o jogo.
Mas penso que nós tivemos o nosso momento, tivemos a nossa estrelinha que poderíamos ter tombado o gigante. Não aconteceu e fiquei muito triste: triste pela derrota, triste porque me lesionei – detesto quando me lesiono (nota: O Cândido Costa já recuperou quase completamente da lesão e, segundo as suas palavras, poderá alinhar sem limitações frente à Académica.

Amanhã, Terça-Feira, o seu blog publicará a segunda parte da grande entrevista exclusiva com Cândido Costa. A não perder.

Entrevista (interactiva) com Cândido Costa.

Indo o Belém até Morrer realizar amanhã uma grande entrevista com Cândido Costa, o seu blog convida-o a participar, bastando para isso deixar expressa na caixa dos comentários a pergunta que gostaria que o craque azul respondesse.

Poderá fazê-lo até às 11 horas de amanhã (5ª Feira).

Entrevista Belém até Morrer: Cabral Ferreira.

No dia em que finalmente veio a certeza que o Belenenses jogaria em sua casa os jogos europeus da taça UEFA, era imperioso ouvir o engenheiro Cabral Ferreira.
Assim aconteceu. Outras questões também eram tópicos de conversa obrigatórios, sobretudo no que se refere a reforços. Afinal, o reforço anunciado acabou por não ser um jogador, mas sim um treinador de seu nome Jorge Jesus. Reforço importante para o clube, sem dúvida, que passa pelo seu prolongar de contrato até à época de 2009/10. Mas já lá vamos...


Quanto a reforços, ainda teremos novidades?

"O Belenenses sempre procura as boas oportunidades de negócio. Se surgirem até dia 31 boas oportunidades de negócio elas serão feitas".

Essas boas oportunidades poderão ser Jorginho, João Paulo…
Amanhã ou na sexta-feira será apresentado algum jogador?

"Não está previsto. É difícil que isso aconteça, mas no ano passado, no último dia de inscrições, chegaram dois jogadores…"

E quanto a Jorge Jesus. O treinador azul havia afirmado antes da partida na Naval que a renovação aconteceria após o embate com o sp. de braga?

"Trata-se de uma formalidade. Há interesse de ambas as partes no prolongamento do vínculo, bastando formalizar essa questão.
Esperemos que Jorge Jesus fique no clube por muitos anos e que o Belenenses lhe consiga oferecer um projecto ambicioso. O Belenenses neste momento não tem condições para lhe oferecer um projecto ambicioso que possa concorrer com outros para os quais ele tem capacidade para liderar. Mas, no último ano e de futuro, têm sido criadas ou vão ser criadas condições para que o Belenenses seja cada vez ambicioso e que o projecto do Belenenses possa interessar a muito mais gente. Gostaria muito de oferecer ao Jorge Jesus esse projecto, no fundo formas de ele estar muitos anos no clube de maneira a que atingíssemos o topo. Se progressivamente, em cada época, formos prolongando o contrato por um ano, isso significa que as pessoas estão satisfeitas e que querem continuar. Jorge Jesus tem mais dois anos de contrato e agora vai ficar com três. Isto passo a passo, e com a antecedência devida. O prolongar de vínculo significa claramente tratar-se de um projecto a médio prazo e não a curto prazo."

Noutro sentido, soube-se finalmente que o estádio do Restelo foi licenciado pela UEFA, indo o Belenenses disputar os seus jogos europeus em sua casa...

"Como eu sempre disse que iria suceder. Desde o primeiro dia que se colocou essa questão sempre afirmei que o estádio do Restelo tinha condições, e que os jogos da taça UEFA se iriam realizar em nossa casa. Houve aqui efectivamente problemas pelo meio, externos ao Belenenses, que dificultaram que o processo ficasse concluído mais rapidamente, mas houve toda a colaboração da CML e do IPD, e com ajuda destas instituições e de muita gente o processo decorreu durante todo o defeso mas foi solucionado. A razão estava do lado do Belenenses, e portanto eu nunca duvidei que isto iria acontecer. Mas foi um processo duro, no qual se tiveram que vencer muitos obstáculos; mas como eu sempre disse, os jogos europeus serão no Restelo. Espero que os adeptos e os simpatizantes do Belenenses compareçam, tantos anos depois, em massa para o jogo europeu que irá acontecer no Restelo."

Existe a necessidade de um jogo teste antes dessa ocasião?

"Todos os jogos que se realizam no Restelo, são testes às condições do estádio, portanto..."

Viajará amanhã para o Mónaco?

"Efectivamente. Farei a viagem porque acho que é um momento importante o Belenenses regressar à Europa do futebol. Entendo que o clube deverá ser representado pelo seu presidente. Para o Belenenses é muito importante este sorteio, e entendi que deveria estar presente."

Antecipando esse grande momento, quais são as suas expectativas em relação ao adversário que poderá calhar em sorte ao Belenenses? Preferia um clube mais acessível ou uma equipa mais forte, um grande do futebol europeu?

"Já defrontámos equipas muito fortes nesta pré-época, e não ficamos mal vistos com essas equipas fortes. Muito pelo contrário... Notam-se mais os tomba-gigantes do que os outros. Ainda assim, o essencial é o nome do Belenenses estar no pote , e qualquer adversário que nos calhe no sorteio deixará certamente toda a gente contente."

Gostaria de jogar primeiro em casa? Fora?

"O importante é já estar no pote (sorrisos)... e continuar no pote! O jogo da primeira mão será disputado a 20 ou 21 de Setembro, e o aniversário do clube é a 23. Devido ao simbolismo da data, e sem olhando se desportivamente será melhor começar em casa ou fora, até gostava que a primeira mão fosse no Restelo".

Regressando um pouco atrás, afirmou que esperava que os sócios e simpatizantes do Belenenses comparecessem em massa para o jogo da UEFA. Tal não tem sucedido, como se viu frente ao braga...

"A única maneira é a mobilização das próprias pessoas, as pessoas desejarem vir ao Restelo. Quem não desejar vir ao Restelo é muito difícil de trazer. Temos é que contar com aqueles que desejam vir. Desde de Janeiro, os sócios aumentaram em cerca de mil, ou seja, cerca de 10%: são pessoas que desejaram vir ou voltar ao Restelo, e essas é que são importantes. As pessoas que dizem que são adeptas ou simpatizantes mas que não participam no "dia a dia" do Restelo podem ser muito adeptos mas não são essas que fazem crescer o clube. As pessoas que vêm ao Restelo, que querem cá vir, que contribuem para o engrandecimento do clube, essas é que são importantes. Eu acho que já dei a minha quota parte muito grande para o clube..."

Mas não se sente desiludido quando vê o Restelo quase deserto?

"Tenho que me sentir desiludido. Estou desiludido desde há 10 anos, 15 anos, não é de agora. Sinto-me desiludido por não ver casas compostas, já não digo cheias. Agora não se pode forçar ninguém a vir ao Restelo. As pessoas têm que voltar de livre vontade, têm que decidir que são do Belenenses, que são belenenses de corpo inteiro e não belenenses de palavreado".

Entrevista Belém até Morrer: Cabral Ferreira.

A entrevista certa no momento certo. É assim que podemos apresentar a conversa que ocorreu esta tarde, no Restelo, com o engenheiro Cabral Ferreira.
Desde a questão dos reforços ao licenciamento do Estádio do Restelo pela UEFA, muitas questões estavam pendentes, ficando algumas delas desde já esclarecidas.

Em relação ao licenciamento que permitirá ao Belenenses actuar em sua casa para a taça UEFA, Cabral Ferreira afirmou que “O representante da UEFA mostrou-se muito agradado com as condições do estádio, e agora estamos à espera do respectivo relatório que, optimista como eu sou quando tenho razões para isso, penso que será positivo”.

Relatório que estará concluído em…?

“A decisão da UEFA terá que estar tomada até 6ª Feira, data do sorteio (no qual o Belenenses será representado pelo próprio Cabral Ferreira e por Carlos Janela). Agora não sei os timing´s correctos. Estou convicto desde há meses atrás que jogaríamos no Restelo. Alguns velhos do Restelo efectivamente não acreditam nas condições que o clube tem, naquilo que ele é, e na sua grandeza, acabando por minimiza-lo a cada momento. Acho que temos de uma forma civilizada educar alguns mal-dizentes profissionais…
Tudo o que foi pedido pela Liga e pela Federação para ser feito, foi feito. Posso considerar que algumas das exigências são um exagero muito grande. Ainda agora estive no Riazor, e a distância entre os joelhos e o muro era de um palmo, e aqui pediram para ser colocado 1 metro e 20 de separação.
Penso que se o estádio tem sido licenciado há dois ou três anos atrás, agora estaria licenciado sem que se colocasse o problema de efectuar obras. As coisas vão mudando, e muitos estádios de equipas de toda a Europa que vão competir nas provas europeias não tem as condições que o Restelo tem.”

E os torniquetes?

“Como sempre disse, isso é uma falsa questão.”

E como encara o regresso do Belenenses aos grandes palcos europeus?

“Tenho muito orgulho de ter reconduzido novamente o Belenenses à taça UEFA. Tenho tido este defeso para compensar o defeso do ano passado, isto apesar de termos tido uma grande luta que foi o licenciamento do estádio, uma luta mais de gabinetes e de burocracia. Mas fundamentalmente estamos a assistir a um ressurgimento do Belenenses, na sua notoriedade extra Portugal, e uma procura maior de se querer saber quem é o Belenenses. Vencemos o torneio de Marrocos, apesar da comunicação social portuguesa – para além da escrita – nem ter dado por ele, participamos com muita honra e dignidade no Teresa Herrera, e não é qualquer um que participa no Teresa Herrera.
Por isso vou estar presente no sorteio da UEFA, um momento muito importante para o Belenenses.”

Portanto acredita sem qualquer espécie de dúvida que o Restelo será o palco dos jogos europeus do Belenenses?

“Eu só falo das questões quando tenho uma comunicação escrita, oficial. Não a pena estar a antecipar as coisas – negativa ou positivamente -, como acontece com algumas com fabulações de algumas mentes… Todavia sucedeu encontrar-me com os senhores da UEFA no balneário, que me transmitiram a sua satisfação pelo que tinham visto. Não há nada que neste momento me esteja a preocupar. Acho que hoje vão dormir mais descansados alguns poucos belenenses que acreditavam que o Belenenses não iria jogar no seu estádio.”

O Belenenses não começou bem a época…

“Efectivamente, houve mudanças estruturais na equipa como todos sabem, e é natural que as rotinas não estejam totalmente ensaiadas, é natural que haja erros. Agora também penso que estas situações vão sendo corrigidas com o tempo, basta recuar até à época passado e comparar a 1ª com a 2ª volta. Nesta altura no ano passado havia uma grande percentagem de pessoas que dizia que nós íamos descer… Vamos perder jogos e vamos ganhar jogos, vamos jogar bem e vamos jogar mal, mas vamos acabar por amealhar os pontos necessários. Fundamentalmente a equipa precisa é de tranquilidade rapidamente, tranquilidade classificativa, tal como na época passada a alcançamos cedo. Depois foi muito mais fácil atingir outros patamares.”

Para além dos três reforços recentemente contratados, virão mais jogadores?. Pelo menos um central, a tal prenda a que Jorge Jesus se referiu…

“Até ao término das inscrições ainda faltam 4 dias. No ano passado inscrevemos 2 jogadores no último dia. O Jorge, como todas as pessoas ambiciosas, e bem, deseja sempre mais e melhor. Umas vezes consegue-se, outras não. Mas não estou pessimista em relação ao assunto. Há muitas formas de prendas…”

A hipótese Jorginho poderá ser uma delas?

“A hipótese Jorginho não está a ser considerada neste momento.”

E Durval?

“As negociações já findaram na semana passada. O Belenenses não gosta de jogadores que oscilam os seus humores ao sabor das brisas brasileiras. O Durval é neste momento uma carta fora do baralho, já o é desde a semana passada. As prendas quando são surpresa são melhores…”

E a prenda para os sócios, que seria a renovação de Jorge Jesus, quando será anunciada?

"Essas coisas só poderão ser anunciadas quando o contrato estiver rubricado.
Há uma coisa que eu tenho a certeza: O Jorge Jesus não deixará o Belenenses se não for para um projecto muito, muito mais ambicioso do que o Belenenses pode neste momento dar. Espero, todavia, daqui a 2 ou 3 anos, que o Belenenses lhe possa oferecer esse projecto muito ambicioso. Portanto, não se põe sequer a questão da saída. "

Entrevista Belém até Morrer - Cândido Costa.

Cândido Costa é aquele tipo de jogador de que todos os adeptos gostam: simpático e bem disposto fora das 4 linhas, esforçado e batalhador dentro delas.

Oriundo precisamente do braga na época passada, Jesus adaptou-o a lateral direito, posição que parece se adequar perfeitamente às suas caracteristicas: é já "dono" da posição, sendo muito difícil ser destronado da titularidade.

A apenas dois dias do embate com o seu anterior clube, o Belém até Morrer ouviu o jogador.


Primeiro jogo em casa, precisamente contra o teu anterior clube, o grande rival do Belenenses na época passada...

Cândido: De certeza que vai ser um bom jogo. Tanto o braga como nós não entraram no campeonato com uma vitória, algo que era uma pretensão das 2 equipas e que torna o jogo ainda mais especial. Acredito que o braga também queira vencer, assim como nós. No ano passado foi uma luta acesa até ao fim entre nós, fruto do campeonato que o Belenenses fez. Nós éramos a surpresa, como se referiu na altura, e agora já não, já as expectativas são maiores e se calhar nós Belenenses, e as pessoas que rodeiam o Belenenses, querem a vitória. No ano passado achavam que isso não era uma coisa tão obrigatória visto o braga ser pretendente ao 4º lugar, e ter isso assumido. Este ano as exigências são maiores e nós sentimos que devemos ombrear com eles pelo que fizemos e temos vindo a fazer.

Dada a saída de jogadores importantes e também ao facto de não terem ainda chegado alguns dos reforços que Jesus pretende contratar, o Belenenses parte para a partida mais fragilizado que o seu adversário?

Cândido: Penso que o braga tem vindo a fazer desde há uns anos para cá épocas muito parecidas, sempre com relativo sucesso, atingindo sempre as provas da UEFA. Tem o estatuto que tem. Nós atingimos as competições europeias no ano passado, fruto da boa época que fizemos mas em termos de valor consolidado o braga está mais forte, tem vindo a aguentar a pressão de ter que ficar em 4º lugar. Nós vamos ver este ano como vai correr. Penso que as saídas do Nivaldo e do dady mexeram com a equipa. Eram dois jogadores titulares e fundamentais - por isso é que sairam e tiveram clubes interessados neles. Mas penso que o Belenenses também se reforçou bem, os jogadores que chegaram, alguns deles, já se adaptaram bem e estão bem entrosados. Agora é uma questão de lhes dar tempo tal como foi dado ao dady e ao Nivaldo para que pudessem mostrar o seu futebol. As coisas não acontecem de um dia para o outro...
Para eles ainda bem que vieram para o Belenenses, têm pelo menos garantido que se trabalha bem, trabalham com um treinador como o Jorge Jesus que toda a gente sabe como é a trabalhar.

Já falastes com algum dos teus antigos colegas do braga?

Cândido: Estive lá dois anos e tenho boas relações com os jogadores e com as pessoas de braga que, como toda a gente sabe, são pessoas acolhedoras e bastante simpáticas e fui muito bem tratado lá. No ano passado já tivemos em confronto e o cenário era "pior" era uma meia final duma taça de Portugal e depois com toda a involvência do penúltimo jogo em casa deles em que iria resolver mais ou menos o 4º e o 5º lugar; e se não houve problemas e as emoções foram sempre controladas nessa situação penso que agora muito mais irão estar. Sempre com respeito fora de campo, mas lá dentro não facilitarei.

Este ano parece que o teu lugar será o defesa direito, posição que no ano passado fizestes mas só circunstâncialemente. Como esta a ser a tua adaptação a essa posição especifica? Sentes-te bem enquanto defesa?

Cândido: Sinto, e digo isto com toda a honestidade (e eu sei que os jogadores de futebol usam muitas vezes um discurso decorado): eu pessoalmente, no Belenenses, com a qualidade que este plantel tem, com as exigências que o treinador mete à equipa e da forma que ele puxa por nós eu quero é jogar, seja em que posição for. Existe este ano outra qualidade. No ano passado jogava a médio interior direito, passei para lateral direito, e se calhar se tivesse que passar para outra posição passava porque o plantel é muito forte, dois, três jogadores por posição sempre com qualidade e a trabalhar no limite. Não é muito normal as equipas terem essa competitividade diária, estar no 11 e motivo de satisfação e não podemos adormecer. Em relação à posição em si penso que continua a ser na faixa, apesar de haver coisas que tenho de aprender ainda e evoluir, coisas bastantes diferentes daquilo que eu estava habituado a fazer como médio interior. As coisas tornam-se mais fácies porque tacticamente o mister Jesus é muito forte, a gente pode assimilar mais rapido a posição devido à facilidade com que lele nos explica os movimentos que se pode fazer naquela posição.

E o Evandro Paulista?

Cândido: Chegou hoje de manhã... (a afirmação de cândido foi feita em jeito de semi-confidência...)

Ecos do Restelo - Entrevista com João Paulo.

Ainda jovem, João Paulo Oliveira viu o seu irmão jogar à bola no bairro de Pilares, Rio de Janeiro, ou nas favelas das proximidades. Não gostava muito, mas quis seguir as pisadas do seu irmão mais velho. Este, que não gostava de compromissos, optou por nunca enveredar pelo profissionalismo, acabando por ser o seu irmão mais novo, que nem gostava muito de jogar à bola, por fazê-lo.

Antes, com 15, 16 anos, jogou, tal como o seu irmão, nos torneios das favelas, alguns deles patrocinados pela Nike.

Curiosamente, João Paulo começou a sua carreira actuando como central mas, ainda assim, foi o melhor marcador da equipa. Inevitavelmente o seu treinador, verificando a apetência natural para o golo, colocou-o na frente do ataque, frente essa que jamais abandonou.

João Paulo, pode-se dizer, chegou, viu e marcou.

De facto, o ponta de lança brasileiro de 22 anos tem instinto goleador: facturou por 6 ocasiões no decorrer da pré-época e brilhou a grande altura frente ao Al-Arabi, por ocasião da apresentação belenense aos seus associados - o seu hat-trick não passou despercebido a ninguém.

Se a "concorrência" era muita até há bem pouco tempo, as saídas de Munuz e Dady e a lesão de Roncatto significam que João Paulo terá que assumir grande parte das despesas do ataque azul na estreia azul na liga 2007-08, liga essa que teve o seu pontapé de saída ontem à noite.


João Paulo, há 5 semanas em Portugal, viu o jogo e fez a sua apreciação em relação ao futebol português em geral e à sua adaptação à nova realidade futebolística que encontrou.

- "Em relação à adaptação, a gente, que vem do Brasil, sente um pouco, mas eu já venho treinando desde há bastante tempo. Estou-me adaptando à equipa do Belenenses. Tive, tal como os restantes jogadores novos, muito apoio. Para mim, porém, falta um pouco o posicionamento, circunstância que o nosso treinador cobra muito. Estou aprendendo muito, facto que vai ser muito importante para o meu crescimento profissional. Existem ainda alguns posicionamentos que eu confundo, mas estou procurando aprender o mais rápido possível... Seja como for, espero que o Belenenses, na sua estreia, faça um grande jogo...!

E um grande jogo passa pela vitória...

- "Acima de tudo, independentemente do empate ou da vitória, a gente tem que fazer um grande jogo porque temos vindo treinando forte no sentido de realizarmos um grande campeonato. Assim, na 2ª Feira frente à Naval, temos que tentar começar bem independentemente de se tratar de um jogo fora de casa. A gente tem, todavia, que respeitar todas as equipas da liga portuguesa, porque todas elas tem jogadores qualificados para disputar a competição."

Com Roncatto lesionado, és o único ponta de lança que Jorge Jesus tem ao seu dispor. Independentemente deste facto, és o melhor marcador da equipa. Serás titular na Figueira da Foz?

- "Estou trabalhando. Nem sabia quantos golos tinha feito na pré-época. Acho que não adianta fazer 20 golos na pré-época e no campeonato todo não fazer nenhum. Trabalhei bem na pré-época para começar bem o campeonato. Caso seja titular, vou tentar fazer o máximo para que o Belenenses vença, para que regresse a Lisboa com a vitória."

Uma pergunta incomoda: tens uma meta traçada quanto a golos? Quantos golos terias que marcar para considerar boa a época?

- "Não. Antes de ingressar no Belenenses, joguei de Janeiro a Maio e fiz 10 golos em 16 jogos. Como eu falei quando cheguei, sei que vou disputar um campeonato mais competitivo, sei que é mais difícil marcar, mas a minha meta será fazer mais ou menos 10 golos. Não sei. Temos que ter sempre ambição na vida..."

As cargas físicas que os jogadores do Belenenses foram sujeitos no decorrer da pré-época foram muito intensas. Encontras-te bem fisicamente?

- "Todos os jogadores do Belenenses estão bem fisicamente. A gente trabalhou bastante para chegar a este momento. Não podemos ter outro tipo de reacção senão tentar fazer uma grande partida e um grande campeonato. Foi assim no ano passado, e a nossa meta terá que ser, pelo menos, manter o mesmo nível de actuação que se verificou em 2006-07."

A massa adepta afecta ao Belenenses encontra-se, em termos gerais, bastante optimista, alias optimismo que se prolongou da época passada para esta. Pensas que a fasquia está a ser colocada demasiado alta? Poderá o optimismo ter influências negativas? Positivas...?

- "Os adeptos têm que estar optimistas, até mesmo devido à campanha do ano transacto. Os jogadores estão conscientes em relação ao seu papel, estamos todos tranquilos e, simultaneamente, ansiosos para estrear e fazer uma grande partida, mostrar que o nível de apresentação do Belenenses é aquele que todos já viram contra o Real Madrid, que a equipa tem grandes jogadores."

Este nível a que te referes poderá ser equivalente ao das equipas que se perfilam enquanto candidatas ao título?

- "Não posso dizer que é, nem que não é. Temos que mostrar isso dentro do campo. O que fala mais alto são os resultados... Não adianta chegar e falar que é, e chegar na hora da verdade e falhar. Temos que jogar e esquecer se vai ser igual ou não; temos simplesmente que jogar e mostrar a todos que temos qualidade."

Em termos tácticos, em qual esquema te enquadras melhor? Em 4x3x3, ou seja, "sozinho" na área, ou em 4x4x2.

- "No Brasil joguei nos dois esquemas tácticos, em 4x3x3 como um número 9 ou até mesmo pelas alas, à esquerda ou à direita. Também joguei em 4X4x2... Não tenho preferência quanto a posição que ocupo no ataque, podendo jogar em ambos os esquemas."

Depois da tua 1ª experiência no futebol europeu, na Bélgica, regressaste ao Brasil e estás agora em Portugal e no Belenenses. Como será o teu futuro?

- "O meu pensamento está aqui no Belenenses. Espero fazer um grande campeonato independentemente de vir a sair daqui ou não. Em primeiro lugar quero trabalhar para me manter aqui na equipa, no Belenenses".

Curiosamente, João Paulo assistiu na época passada a um jogo da Naval ao vivo, mais concretamente frente ao Aves. A dois dias do jogo contra este emblema, quisemos saber o que o jogador do Rio de Janeiro conhecia da turma da Figueira da Foz.

- "Da Naval conheço dois jogadores que jogaram lá, o Dudu e o Gaúcho. Joguei contra o Dudu no Brasil e também conheço o Gaúcho. E nada mais. Vi um jogo deles no ano passado, mas a equipa mudou..."

Ainda assim, pensas que é uma boa equipa?

- "Todas as equipas da 1ª liga merecem respeito. Independentemente da grandeza do clube que encontraremos pela frente, temos que trabalhar para tentar superar os nossos adversários. Todas as equipas são respeitáveis, sejam as que jogaram na época transacta na 1ª liga, como a Naval, sejam as que subiram. Se estão na 1ª liga, é porque têm qualidade."

Em jeito de brincadeira: já preparaste alguma dança para quando marcares um golo?

- "(Sorrisos) Ainda não. Nunca preparo nada, na hora que a bola bate de encontro ao fundo das redes é que vem na minha cabeça..."

...É sempre uma dança diferente...

- "Pois é. Agora ando a ouvir quizomba. Quem me deu o CD foi o Rolando..."

Então se marcares um golo se calhar vai haver um dança de quizomba...

- "(Sorrisos) Estou treinando, estou treinando... mas é um pouco complicado de aprender."

(Entretanto, notícias do Brasil apontam que o defesa central Edson poderá ingressar no Belenenses:

"No último jogo da primeira fase o CRB enfrenta o Barueri na casa do adversário em busca de sua terceira vitória consecutiva, e mais que isto, busca entrar definitivamente na luta pelas quatro primeiras posições que permitirá ao time alagoano o acesso inédito para a Série A em 2008.

E a torcida começa a ter motivos para acreditar nisto. O time vem mostrando um ótimo volume de jogo e o técnico Alexandre Barroso vem conseguindo manter uma base em todos os jogos.

O problema é que o fantasma da saída de jogadores volta a rondar a Pajuçara. Empresários do Belenenses de Portugal estariam em Maceió para levar o zagueiro Edson, um dos destaques do time, e o jogo no interior paulista pode ser o último do defensor pelo time alagoano (http://www.alemtemporeal.com.br/?pag=esportes&cod=222)".
)

Ecos do Restelo: Entrevista com Cabral Ferreira.



Depois da "Novela Dady" ter terminado e a poucos dias da estreia azul na liga, o Belém até Morrer ouviu o presidente do Belenenses, engenheiro Cabral Ferreira.

Recuando um pouco no tempo, e na sequência da venda de Nivaldo e de Dady e do interesse de diversos clubes em relação a outros jogadores belenenses, Cabral Ferreira afirmou que "muitos jogadores haviam sido crucificados em Assembleias Gerais, jogadores acusados de não servirem para os distritais, e que agora se "transformaram" em jogadores cobiçados por grandes equipas do mundo. É algo que me deixa satisfeito."

Ontem, numa rádio, surgiu a notícia da renovação de Rolando até 2011...

"Os assuntos entre mim e os meus jogadores são entre mim e os meus jogadores até ao momento em que os tornamos públicos. O João Paulo Oliveira teve o contrato assinado durante cerca de um mês no cofre..."

Jorge Jesus já afirmou que o Belenenses se encontra no mercado para contratar dois ou três jogadores...

- "Nós estamos sempre em cima do mercado e à espera de bons negócios para o Belenenses. Recordo que no ano passado, no último dia de inscrições, foram inscritos o Fernando e o Cândido Costa. Foram maus negócios?".

A verba que o Belenenses encaixou com a venda de Nivaldo e de Dady pode permitir ao clube comprar jogadores com mais argumentos?

- "A decisão da administração das verbas cabe exclusivamente à administração da SAD, que decidirá o que será melhor fazer em relação a essas verbas. Não é na praça pública que isso se fará e muito menos aceitarei opiniões de presidentes de sindicatos em relação ao que são bons ou maus negócios para o Belenenses..."

Mas as receitas extraordinárias vieram alterar de alguma forma a perspectiva que o Belenenses tinha para a época em termos de orçamento? Qual é a importância desta verba, qual será o seu enquadramento no contexto actual do clube?

- "Eu sempre defendi que a SAD deveria ser uma entidade que valorizasse os seus activos e que os negociasse na melhor ocasião. No ano passado foram negociados o Meyong, o melhor marcador da liga portuguesa e ainda o Pelé. Este ano foram negociados o Nivaldo - neste caso também um central - e o segundo melhor marcador da liga. Portanto, parece que há uma linha coerente de actuação da SAD desde que eu sou presidente do conselho de administração da SAD."

Mas o Belenenses está dependente dessas verbas para ter uma gestão equilibrada?

- "Segundo algumas pessoas, o clube já teria fechado em Maio, ainda antes dessas vendas... Alias, já nem teriam sido pagos os ordenados de Março... foi esse o termo utilizado."

Mas o Belenenses vê-se mesmo obrigado a vender, ou sem essas receitas o clube manter-se-ia equilibrado?

- "É difícil com o nível de receitas que existem no futebol português gerir uma SAD sem a venda dos seus activos. E que o digam outros clubes por exemplo de Lisboa ou do Porto. A dimensão das necessidades do Belenenses não é com certeza semelhante às necessidades desses clubes mas se calhar é mais premente a necessidade nesses clubes do que no Belenenses. Mas não quero interferir nem tenho elementos para estar a falar do que se passa noutros clubes...".

Em relação ao Dady, a pergunta que interessa a todos os Belenenses? O dinheiro da transferência já entrou no cofre do clube?

- "Se não entrou está a caminho. Esta história do Dady... há uma coisa que as pessoas tem de entender de uma vez por todas: Cada macaco no seu galho. O senhor presidente do sindicato dos jogadores profissionais é presidente do sindicato. O senhor representante do jogador é representante do jogador. O presidente do Belenenses é o representante do Belenenses. Quem manda nestas situações é o presidente do Belenenses. Portanto, enquanto o Belenenses não chegar a acordo com qualquer clube, quer para efectuar alguma transacção quer de compra ou de venda, essa transacção não existe. E parece descabido e muito feio da parte de um presidente de um sindicato que diga que o Belenenses só pode falar neste caso com o Osasuna com a mediação do sindicato".

Firme e veemente, Cabral Ferreira prosseguiu referindo que a sua grande dúvida "é se afinal é um sindicato de jogadores ou se é um sindicato de empresários. Ou que raio de interesses se juntaram nesta situação de maneira a terem actuado da forma como actuaram".

Mais: "É evidente - e posso divulgar publicamente - que eu recebi uma proposta do Osasuna no dia do jogo com o Atalanta, a que eu respondi que nessa noite viria para Lisboa, mas não sabia a que horas iria regressar, mas que na segunda feira essa resposta seria dada. Nessa mesma segunda-feira estive a jantar com o senhor presidente do Osasuna, que aterrou em Lisboa no momento em que se dava uma conferência de imprensa surrealista no sindicato dos jogadores. O senhor presidente do Osasuna aterrava em Lisboa interrompendo as suas férias e à noite estivemos reunidos e resolvemos os assuntos. Depois de estarem resolvidos esses assuntos entre o Belenenses e o Osasuna é que poderiam desenvolver contactos com o jogador. Alias, também acho uma situação um bocado ridícula ser apresentado à comunicação social um contrato do Dady que já nem está em vigor. Há outro, assinado posteriormente, que se encontra em vigor. Além do mais houve uma falta de rigor na informação prestada. O contrato do Dady que estava em vigor estava assinado por mim e o contrato que foi apresentado à comunicação social está assinado pela anterior administração."

Ou seja, os clubes entenderam-se, chegaram a acordo, o dinheiro vem a caminho. Tudo normal exceptuando...

- "Foi perfeitamente extemporânea e surrealista a conferência de imprensa. As negociações não estavam quebradas e estava combinado que seria na 2ª ou na 3ª feira que o Belenenses daria uma resposta em relação à proposta apresentada..."

Que explicação encontra para a reacção do Dady?

- "Em relação ao Dady tenho uma explicação: extremamente mal aconselhado. Acho que o Dady no meio disto tudo não tem muita culpa. Foi extremamente mal aconselhado e está em falta com o Clube de Futebol "Os Belenenses". Quer nas faltas aos treinos quer na apresentação..."

O Belenenses está a ponderar agir legalmente?

- "No dia da primeira falta foi instaurado um inquérito disciplinar que está a correr os seus trâmites."

Regressando um pouco atrás, o presidente azul explicou porque considerava esclavagista a posição do senhor presidente do sindicato.

- "Quando eu lhe disse que gostaria de conversar com o jogador, ele disse que só o podia fazer na presença de um advogado. Eu respondi que ele (Dady) teria então que conversar com o advogado do Belenenses. Comigo não conversa na presença de um advogado... O senhor presidente do sindicato perguntou-me então se aceitava falar na presença do presidente do sindicato e eu recusei. Se for só na condição de presidente do sindicato estou pronto para recebê-lo, mas se exorbitar das suas funções já não o posso receber. Agora achei que estava a exorbitar das suas funções nessa reunião. Com que interesses não sei..."

Precisamente o presidente do sindicato anunciou que iria fazer um périplo por todos os clubes para tratar de assuntos como as dívidas aos jogadores. O Belenenses irá recebê-lo?

- "Ainda não fui contactado para uma eventual reunião, mas não sei se haverá muitos clubes que receberão o senhor presidente do sindicato... Depois se verá... É a história do «ouve-se dizer que»... "

Mas o presidente do Belenenses irá recebê-lo?

- "Decidirei na altura se receberei ou não. Depende das garantias que o senhor presidente do sindicato me der, que vem como presidente do sindicato e não noutras qualidades..."

Mas ainda assim irá recebê-lo com um pé atrás...

- "Com um não, com os dois..."

Ecos do Restelo - Entrevista com Jorge Jesus.



De regresso ao trabalho após a goleada imposta ao Al-Arabi, o Belenenses treinou esta tarde no Estádio do Restelo. Não eram visíveis caras novas, à excepção de... Zhang Shi Chang.

Ainda muito jovem, o alto guarda-redes chinês encontra-se a ser observado, indo presumivelmente reforçar a equipa júnior azul.

De salientar ainda que Costinha treinou sem qualquer condicionalismo sendo possível, visto o mau momento que Marco atravessa, a sua entrada no 11 que defrontará a Naval na próxima segunda-feira.

No final da sessão vespertina o Belém até Morrer ouviu Jorge Jesus, que não quis dispensar muitas palavras em relação a Zing Chang.

- "É um dos jogadores juniores que estão aqui a treinar, podendo assinar um contrato de formação se tiver valor, algo que não passa directamente por mim. Quem irá dar o parecer técnico do jogador é o mister dos juniores, não sou eu. O jogador encontra-se a trabalhar connosco para também termos uma ideia acerca do seu valor. Não é novidade nenhuma. Com ele, são já 4 os jogadores que andaram a treinar connosco, só que este deu mais nas vistas porque é chinês".

Oficializada a saída de Dady do Belenenses, o plantel perde um jogador que fora importante na época passada. Tratou-se de um revés naquilo que estava a planear?

"Não esperava que o Dady saísse. Mas, como sempre disse desde o primeiro dia, estou no Belenenses para obter resultados desportivos e, simultaneamente, para potenciar os activos do clube que são os jogadores. Nunca na história do Belenenses se realizou um encaixe financeiro tão grande com a venda de dois jogadores, e isto também é o trabalho do treinador. Tínhamos como convicção - e como base da estrutura da equipa - não vendermos este ano o Dady, sabendo que o jogador está numa fase de crescimento.
Eu como queria o melhor para o Dady achava que ele, ficando este ano no Belenenses, para o ano poderia ser transferido para um "grande" em Portugal. Não sei para qual dos "3 grandes" iria, mas tinha que ir... Ele está numa fase de crescimento e tinha se adaptado muito bem aos processos de trabalho por nós implantados. Mas também foi para um campeonato forte e merece toda a sorte do mundo. É um jogador - para além de eu acreditar que vai continuar a evoluir - muito humilde, muito bom companheiro, muito solidário... e merece a melhor sorte do mundo".

Desejou-lhe essa sorte pessoalmente?

- "Não, porque ele foi muito rapidamente embora para Pamplona. Pelo aquilo que gosto dele, acho que ele não tomou a melhor opção em termos desportivos..."

Como vai conseguir gerir a frente de ataque sem Dady, uma vez que grande aposta parecia ser uma dupla constituída por Dady e Roncatto?

- "No ano passado também saiu o Meyong, e eu arranjei outras soluções. Portanto, de certeza que agora também se vão arranjar outras soluções. No princípio da época passada ninguém sabia quem era o Dady, e pode ser que no final desta também apareça outro jogador a destacar-se no Belenenses. Estou convencido que isso vai acontecer...
Dá-me grande orgulho e alegria sentir que se o presidente do Belenenses quisesse, a maior parte dos 11 jogadores eram vendidos este ano. Depois de disputarmos o Teresa Herrera, tivemos propostas para quase todos os jogadores saírem. Esta situação dá-me alegria e satisfação porque no fundo o Belenenses fez mais este ano, financeiramente e desportivamente, do que se calhar de há 20 anos para cá".

A liga portuguesa irá ter o seu pontapé de saída nos próximos dias, iniciando o Belenenses a sua campanha na segunda-feira. O Belenenses está no mercado?

- "Temos que ir ao mercado. Temos 2 semanas, ou seja, não é fácil. Estamos atentos e queremos fazer as coisas com cuidado. Hoje já temos mais alguma capacidade financeira para podermos adquirir um jogador que no passado não tínhamos, mas se não conseguirmos arranjar nenhuma solução até 31 de Agosto, vamos esperar até 31 de Janeiro. Não nos vamos precipitar. Se não pudermos contratar ninguém, não o faremos...".

... Quando o Nicolas Munuz foi dispensado já se sabia que Dady iria sair do plantel?

- "Já. O Munuz esteve aqui alguns dias a trabalhar connosco, assim como esteve o Dragovic. Eram ambos jogadores já com contrato estabelecido, mas que continha uma cláusula que previa a sua saída caso eu entendesse serem jogadores que não interessavam ao Belenenses. E assim aconteceu".

(Nota:O treino de amanhã terá início às 17 horas, sendo à porta aberta).


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Entrevista Belém até Morrer - JP Oliveira.



Sem que tivéssemos programada a entrevista a João Paulo Oliveira, havíamos na edição da tarde destacado o ponta de lança brasileiro. Destaque, pensamos, inteiramente justificado. JP Oliveira tem se revelado um jogador com muita qualidade, parecendo possuir aquela empatia com a bola que só os grandes goleadores apresentam. A bola simplesmente parece ir ter com eles...

Assim é com o jovem de 22 anos, cuja veia goleadora já rendeu 4 golos ao serviço do Belenenses. Com Dady fora das 4 linhas e Roncatto e Munoz pouco profícuos no capítulo da finalização, JP Oliveira tem sido, sem qualquer espécie de dúvida, o homem-golo azul.

Ontem mais um golo...

JP Oliveira: Acho que tenho tido sorte. Trabalho para fazer golos porque sou avançado e acho que estou vivendo um momento bom que espero que continue no decorrer do campeonato, para o qual tenho alguns objectivos e tudo vou fazer para alcança-los.

Quais são esses objectivos?

JP Oliveira: Vou tentar fazer uma grande temporada aqui no Belenenses e no futuro, quem sabe, jogar numa equipa de grande força.

Depois de algumas semanas em Portugal, já poderás falar com mais conhecimento das diferenças que aqui encontrastes em relação ao Brasil...

JP Oliveira: Aqui é um pouco mais rápido. Temos que executar aqui um pouco mais rápido, mas já estou adaptado. Estou só um pouco cansado, mas dentro da normalidade. A gente está treinando bastante...

O futebol português é adequado as tuas características?

JP Oliveira: Acho que futebol português é igual ao do Brasil, tendo somente um pouco mais de velocidade e de dinâmica. No Brasil você pode pegar a bola e ter dois ou três segundos para pensar, enquanto aqui, antes da bola chegar, você teve já que ter pensado no que vai fazer.

O tal objectivo pode passar por seres o melhor artilheiro da Liga?

JP Oliveira: Não posso dizer que não sonho com isso. Um jogador que joga na frente acho que tem que sonhar em fazer golos, mas não posso prometer lutar para ser o melhor artilheiro se ainda não fiz ainda o primeiro golo... Como falei tenho os meus objectivos, quero fazer imensos golos aqui e ajudar a equipa, mas sempre sem pensar em ser o melhor goleador. Acho que se eu trabalhar bem esse trabalho vai dar frutos, e marcar golos será consequência disso mesmo.

Embora tenha somente 22 anos, o ingresso no Belenenses não significou a primeira experiência europeia de JP Oliveira...

JP Oliveira: Já joguei na Bélgica, no Germinal. Lá o futebol é um pouco mais físico. O meu peso normal é agora de 78 quilos. Quando cheguei a Bélgica, tinha 17/18 anos, cheguei a pesar 83 quilos por ganhei muita massa muscular. Foi obrigado a trabalhar muito o aspecto físico e muscular, mas quando voltei para o Brasil regressei ao meu peso normal.

Regressando a esses tempos nos quais viveu a sua primeira experiência fora do Brasil, JP oliveira relembrou que fazia dupla de ataque com Cadú, jogador que actua em Portugal, na União de Leiria.

JP Oliveira: Jogámos os dois no Germinal, tendo o Cadú acabado por ser vendido para Portugal enquanto eu regressei ao Brasil porque o meu clube da época, o Madureira, não quis vender o meu passe os belgas.

Como vai ser quando tiver que enfrentar o Cadú dentro das 4 linhas...

JP Oliveira: Espero que seja bom para nós dois. Ele vai estar defendendo o clube dele, eu vou estar defendendo o meu. Somos grandes amigos, mas depois de entrarmos para dentro do campo acho que tenho de defender o pão de cada dia da minha família, e ele o pão de cada dia da família dele. No final vamos-nos abraçar e conversar normalmente...

Humilde e tranquilo, JP Oliveira, quando questionado acerca dos golos que já havia marcado ao serviço do Belenenses, afirmou não saber ao certo, não tendo por hábito fazer essas contas.

JP Oliveira: Não conto os golos... Falaram-me que já havia marcado 4, mas não sei ao certo. No Brasil estava como segundo melhor marcador no campeonato que estava a disputar, o Gaúcho, e não sabia. Só soube quando saiu uma notícia no jornal e os meus amigos me falaram. Estava mesmo como melhor marcador, mas a minha equipa não se qualificou para as meias-finais, e foi ultrapassado por outro jogador que jogou mais 4 jogos que eu.

Não contas os golos por alguma razão em especial...

JP Oliveira: Não. Simplesmente não me preocupo com isso. Como já falei, se a gente está trabalhando correcto e bem as coisas vão acontecendo naturalmente.

Dentro de poucos dias o Belenenses irá disputar um dos mais prestigiados torneios do mundo, o Tereza Herrera. Como vai ser?

JP Oliveira: Espero que a nossa equipa mantenha o nível de apresentação que vem mostrando. Independentemente de jogarmos contra grandes clubes europeus, acho que se eles entrarem nas 4 linhas com menos vontade do que a gente, nós vamos tentar beneficiar disso.

Mas vai ser especial jogar contra o Real Madrid?

JP Oliveira: Vai ser num certo sentido porque eu sou novo, sou agora estou começando a minha carreira. Jogar contra uma grande equipa, com grandes jogadores e sempre bom, uma oportunidade de obtermos um pouco mais de experiência. Fora isso, acho que é normal. Não estou numa das maiores equipas da Europa, mas estou aqui numa das maiores equipas de Portugal.

Que obteve uma 5ª posição da Liga e atingiu a final da Taça de Portugal...

JP Oliveira: Vimos trabalhando forte nestas semanas para no minímo tentarmos manter o nível de apresentação que tivemos, Belenenses, no ano passado.

Que avançados tens como referência?

JP Oliveira: Como falei quando cheguei a Portugal, na primeira entrevista que dei, gosto muito do Liedson. É um excelente jogador, um grande goleador. Se tivermos como exemplos alguns jogadores muito bons isso pode ser positivo, e eu tenho o Liedson como exemplo apesar dele no meu país ser injustiçado por não ser chamado à selecção brasileira apesar dos excelentes campeonatos que vem fazendo.

Acompanhavas do Brasil a sua carreira aqui em Portugal?

JP Oliveira: Acompanho o seu percurso desde que ele surgiu, no Curitiba, no Corintians, no Flamengo... Eu morava no Rio de Janeiro, e acompanhava ele no Brasileirão. Depois, no Corintians e no Flamengo, passei a seguir o seu percurso com mais proximidade. No Rio ele fez grandes partidas e grandes golos, e no Brasil ele é um ídolo. Por isso me baseio nele, ele que era pobre tal como eu... Ambos somos oriundos de famílias muito humildes, e ele conseguiu chegar onde se encontra hoje. Vou tentar seguir o seu exemplo, e tentar também chegar onde ele chegou.

E ajudar a tua família...

JP Oliveira: Claro. Estou aqui para trabalhar e tentar ajudar a minha família. Temos que ter objectivos na vida. Temos que viver a vida, mas sem nunca esquecer os nossos objectivos.

Como é a tua história de jogador de futebol? Como tudo surgiu?

JP Oliveira: Comecei no Madureira, toda a minha formação foi feita lá, no clube do Rio de Janeiro. Com 17 anos acabei por disputar um jogo contra o Vasco da Gama no qual o Cadú, jogador do Vasco na época, estava a ser observado. Acabaram por me ver jogando e foi então que surgiu a possibilidade de jogar no Germinal da Bélgica. Transferiram-nos aos dois...

Ser futebolista sempre foi um sonho...

JP Oliveira: Era um sonho, mas não era um objectivo do tipo: "Tenho que ser um jogador..." Aconteceu. Estava jogando futebol na rua com os amigos, descalço e tudo, e passou um olheiro do clube (do Madureira), que me perguntou se eu tinha vontade de ir lá fazer uns treinos. Eu fui, fiz uns treinos de captação e acabei por passar. No primeiro treino tinha 700 pessoas, e só passei eu e mais um miúdo, que era defesa, o André Paulino que ainda joga como profissional no Madureira, onde foi campeão estadual. Tem jogadores que na época já jogavam no Madureira e que hoje não são profissionais. Nós dois que passámos no teste e fomos os últimos a chegar ao clube, acabámos por nos tornarmos profissionais primeiro... Chegámos do nada, quando já havia muitos jogadores na equipa, mas devido à nossa qualidade fomos integrados no grupo dos profissionais mais rápido.

Chegaste ao Madureira com que idade?

JP Oliveira: Cheguei tarde, quando tinha já 14 anos. E com 17 anos vim para a Europa...

Foi um percurso muito rápido... Teria sido útil começar mais cedo?

JP Oliveira: Penso que não. Tem jogadores que começam muito novos e não singram enquanto profissionais... Comigo foi mais o destino, acho que tinha que acontecer... Hoje poderia estar sentado no Brasil a trabalhar num escritório. Se hoje estou aqui dando uma entrevista é porque tinha que acontecer, a gente não programa nada na vida... Só apenas deita, dorme, acorda... e acontece.

Pareces ser uma pessoa muito tranquila, que vem fazendo todo o seu percurso enquanto jogador com grande calma...

JP Oliveira: Sou bastante tranquilo mas também muito alegre. Sou extrovertido, gosto de brincar, de sacaniar os outros (risos), mas na minha casa sou bastante tranquilo. Temos que saber viver a vida. Temos que ter tranquilidade e ao mesmo tempo sabedoria para alcançarmos o que ambicionamos. Não adiantar chegar e marcar 2 ou 3 golos e achar que já cheguei a algum lugar... Acho que que tenho que manter sempre a minha cabeça no lugar para assim alcançar o meu objectivo maior que é dar uma vida melhor à minha família.