Belém Até Morrer On Tour: Bragança

Terça-Feira de manhã, Estádio do Restelo. Ao contrário do que sempre sucede, o Belém até Morrer não viajou com a Fúria Azul, mas sim na véspera do jogo. Apesar da longa viagem que tínhamos pela frente, a animação era grande e o início da viagem foi feito com boa disposição. A viagem, apesar de cansativa, foi tranquila, com as habituais paragens nas áreas de serviço para descansar e comer alguma coisa. Já depois do Porto, na zona da Serra do Marão, as condições do tempo eram muito más, com muito nevoeiro, mas depois de Vila Real voltamos a encontrar um tempo mais agradável. Chegámos a Bragança cerca das 20 horas.

Sucedendo ficarmos hospedados no hotel onde se encontrava a comitiva azul, podemos trocar algumas palavras com alguns jogadores e equilatar o grau de confiança que tinham para o jogo do dia seguinte. Depois do jantar passeamos um pouco por Bragança, pelo seu magnífico castelo, mas não encontramos nem belenenses, nem brasileiras...

Finalmente, depois de uma noite relativamente bem dormida, chegou o grande dia: o Belenenses tinha oportunidade de se apurar para as meias-finais da Taça de Portugal e assim ficar a um só passo do Jamor. A partir do Meio-dia, as ruas circundantes ao estádio local começaram a ser pintadas de azul, sendo evidente que o Belenenses teria muito apoio no decorrer dos 90 minutos de jogo. De facto, para além dos cerca de 150 belenenses que fizeram a viagem a partir de Lisboa, eram imensos os adeptos azuis de todo o Norte do país, principalmente da região de Bragança. Com a almoçarada - leitão e vinho - a ser oferecida por um associado da Mealhada, grande parte dos belenenses presentes ficou por ali mesmo, junto ao estádio, num pic-nic azul improvisado muito simpátiaco. Com os minutos a passar, as pulsações cardíacas foram também aumentando, se bem que o optimismo era muito grande entre todos os presentes. 14h20: metade da curva sul do estádio municipal de Bragança encontrava-se já repleta de belenenses - cerca de 300 -, e as habituais faixas da Fúria já estavam colocadas. Ensaiaram-se os primeiros cânticos, com os 20 ultras presentes já em alta. Então surgem as camisolas azuis com a cruz de cristo gravada no peito, e a curva belenense ergue bem alto as bandeiras, estandartes e cachecóis azuis. No sector ultra são lançados também fumos que ajudam a colorir a bancada.

O estádio encontrava-se praticamente esgotado, com cerca de 7000 a 8000 pessoas, sendo também muito grande o entusiásmo entre as hostes bragancenas.

Com os cânticos da bancada azul e furiosa como som ambiente, os azuis do Restelo entram bem no jogo, e logo aos 2 minutos Garcés remata para defesa do guardião local. 10 minutos volvidos, novo remate do panamiano, interceptado por um defesa que oferece o corpo a bola, cedendo um canto. Claro ascendente azul até aos 20 minutos de jogo, com o Bragança encostado a sua área defensiva e a ceder muitos cantos e livres. Precisamente na sequência de um canto, apontado por Silas aos 16 minutos, Garcés cabeceia com perigo, com a bola a ser desviada num defesa para novo canto. Seguiram dois livres perigosos, ambos apontados por Zé Pedro, mas a defesa da casa conseguiu aliviar o perigo. E foi tudo... Inexplicavelmente, a partir dos 20 minutos o Belenenses deixa de jogar, sendo o Bragança a tomar conta das operações. Imediatamente, Costinha é obrigado a fazer uma boa defesa após remate perigoso de fora da área, e acontecem alguns cantos a favor dos da casa. Aos 26 minutos, o Bragança tem nova oportunidade de golo, da qual resulta novo canto. Na sequência do mesmo, apontado da direita, surge o golo do Bragança num cabeceamento ao primeiro poste. Loucura entre os adeptos locais. 5 minutos volvidos, aos 33, na sequência de uma tabelinha entre Toni e Mobil, o primeiro isola-se mas Costinha chega primeiro ao lance e acaba, maldosamente, por ser atingido na cabeça. O jogo ficou interrompido por cerca de 3 minutos, mas o guardião azul é obrigado a sair de ambulância, sendo substituido por Marco Gançalves - o Marco Aurélio é agora o 3º guarda-redes azul? Até ao final dos primeiros 45 minutos o jogo não muda de cariz, com o Belenenses incapaz de criar verdadeiro perigo e o bragança a apostar em sucessivos contra-ataques. No início da 2ª metade, Jorge Jesus lê bem o jogo, e retira das 4 linhas Silas, sempre muito apagado, e coloca em campo Eliseu: o Belenenses não havia sido bem sucedido no jogo mais rendilhado a meio-campo que produziu na primeira parte, passando a apostar mais no jogo directo, mais de passe longo e de velocidade, que tão bons resultados tinha conseguido nos primeiros 30 minutos frente à Naval. Ainda assim, aos 5 minutos, é ainda o Bragança a criar perigo através de um cabeamento que todavia sai fraco e a figura de Marco G.
Foi o canto do cisne para os locais, já que a partir daquele momento o Belenenses reassume o comando das operações. Assim, aos 54 minutos, Garcés, a passe de Dady, isola-se e frente ao guardião local tenta o chapéu, saindo a bola ligeiramente por cima da baliza. Anunciava-se o golo azul, que surge 3 minutos depois, após centro da direita de Cândido Costa: junto a linha final e em esforço, o médio azul consegue centrar uma bola que parecia perdida, aproveitando Dady, oportuno, para restabelecer o empate através de um cabeceamento eficaz. Depois do empate, o Bragança sobe novamente no terreno, aposta mais claramente numa táctica que procura colocar fora-de-jogo aos avançados azuis, estratégia que beneficiou claramente o Belenenses, com jogadores muito velozes na frente. Assim, aos 69 minutos, Eliseu isola-se, finta o guarda redes local, e é impedido de prosseguir pelo mesmo. Penalty e expulsão às quais Paulo Costa fez vista grossa. Pouco depois, todavia, José Pedro aponta um livre da direita ao qual Nivaldo responde com um cabeceamento vitorioso: loucura na curva azul, e início dos constantes insultos oriundos das bancadas ocupadas pelas adeptos locais. Nas 4 linhas o Bragança acusou o golo e pareceu incapaz de dar a volta por cima, situação que se tornou mais nitida após a expulsão de vinicius. Já com Sandro Gaúcho em campo a reforçar o meio-campo defensivo, os minutos passam sem grandes sobressaltos para o último reduto azul, até que, já nos descontos, surge o golo anulado ao Bragança e as tentativas de agressão ao arbitro assistente. De onde nos encontrávamos foi impossível ver o lance, sucedendo o mesmo com o banco do Bragança e com a RTP - claro que a televisão pública se apressou a dizer que o golo tinha sido limpo... O jogo acaba de seguida, e a festa azul tem início.
Não me quero demorar muito com os acontecimentos que se sucederam, mas a frustação da derrota, o golo anulado e o muito alcool ingerido pelos Bragancenos revelaram-se uma combinação explosiva. Surgem de imediato ofensas verbais constantes que evoluiram para tentativas de agressão às quais os ultras deram a resposta adequada. Perante a completa desorientação da PSP local - com pouquissímos efectivos no estádio - tiveram de ser os ultras, apesar da inferioridade numérica, a defender a sua integridade fisica e a honra de ser belenense. Dirigidos pela policia até à bancada central, os furiosos foram alvo de mais tentativas de agressão às quais souberam dar a resposta adequada, seguindo-se uma chuva de pedras de cobardes que se encontravam no exterior no estádio. Até nunca mais... que a terceira divisão seja a vossa realidade por muitos anos... Os ultras azuis e outros adeptos belenenses acabam por ser encaminhados pela PSP até ao relvado e depois até à bancada central oposta. Depois de cerca de 45 minutos retidos pela polícia, e com algumas dezenas de bragancenos alcoolizados à espera no exterior do estádio, os adeptos do Belém sairam com normalidade das pobres instalações do Bragança e embarcaram no bus que os trouxe de regresso a Lisboa. Chegada ao Restelo cerca da meia-noite. Quanto ao Belém Até Morrer a viagem decorreu com normalidade, e fomos sendo entretidos, via rádio, pelos golos aveirenses...
.
Amanhã apresentaremos uma foto-reportagem completa ao jogo.
.
Até ao Jamor!!!