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Grande noite no Restelo

5:0. Não é propriamente um resultado inédito, mas nos dias que correm não sucede com muita frequência.

Três factores ajudam a explicar a goleada:

Antes de mais, um Vitória apático ainda na ressaca de não ter cumprido o sonho de regressar ao Jamor (atente-se que as três equipas, porto à parte, que disputaram as meias finais perderam os seus jogos e encaixaram 11 golos); em segundo lugar, um super Weldon que tira um grande golo inaugural da cartola e marca ainda o segundo; finalmente, e não menos importante, a alteração táctica produzida por Jorge Jesus que abdicou de um médio mais defensivo, Gabriel Gomez, e fez alinhar novamente a titular um excelente Rafael Bastos que mais uma vez fez por merecer a confiança nele depositada.

Estes três factores conjugados explicam em termos genéricos a grande superioridade do Belenenses em todo o jogo, nomeadamente nos primeiros 30 minutos. Três factores explicativos e curiosamente três golos: um magnífico, outro oportuno e o terceiro natural.

Com o Vitória a apostar numa defesa muito subida a jogar em linha a seguir ao 2:0, o terceiro golo de facto adivinhava-se, podendo mesmo ter surgido antes não fosse Weldon ter desperdiçado uma situação de 2 para 1 (Eduardo para os dois avançados brasileiros dos azuis).
A jogada que dá origem ao terceiro golo é em quase tudo idêntica, mas Roncatto foi mais eficaz ao driblar o guardião setubalense e a atirar para a baliza quase deserta. Tratou-se de uma excelente defesa de... Janício. Expulsão, penalidade (convertida por José Pedro) e cheque-mate: o vencedor estava encontrado.

Os segundos 45 minutos foram naturalmente tranquilos, com um Belenenses dominador em termos de posse de bola e vantagem territorial mas não muito perigoso. Quanto ao Vitória mais do menos, ou seja, pouco mais do que nada.

Destaque para os "raides" de Rafael Bastos (o médio brasileiro é sem dúvida um bom jogador) e para os dois golos de João Paulo Oliveira que assim regressou a condição de "goleador" após o brilharete frente ao Paços de Ferreira para a Taça de Portugal.

Concluindo, as contas que todos os Belenenses faziam antes do encontro não saíram goradas e no jogo da luz (próximo sábado) o 4º lugar estará em disputa entre belenenses e benfiquistas. Para já, os Azuis do Restelo subiram um lugar na tabela classificativa, depois da troca com o seu adversário desta noite.

(Nota final para o ambiente vivido no Pavilhão Acácio Rosa após o final do jogo no Estádio do Restelo. Centenas de associados azuis invadiram o pavilhão onde treinava o Futsal belenense que hoje mesmo viu-lhe serem retirados 3 pontos na secretaria. Foram momentos emotivos, surgindo mesmo lágrimas entre o plantel perante o apoio grandiosamente ensurdecedor com que foram brindados. Força Conquistadores!

Em Belém brilha um azul europeu

O(s) Belenenses de Jorge Jesus não são "sprinter´s": muito pelo contrário. Assumem características de "maratonistas", numa prova de resistência onde importa menos como se começa e mais como se acaba.

De facto, volvidas que estão 19 jornadas, o "Belemzão" já se juntou ao exclusivo pelotão da frente, tal como havia ocorrido na época passada.

Façamos uma análise comparada.

O Belenenses 2007/08 soma 29 pontos, excelente aproveitamento face aos 19 golos marcados e aos 17 golos sofridos (5ª defesa menos batida, a um golo do sporting). Ou seja, é uma equipa essencialmente equilibrada, forte a defender embora não seja propriamente defensiva.

Em termos ofensivos o Belenenses 2007/08 não é muito concretizador, concentrando uma percentagem significativa de golos em poucos jogadores: Zé Pedro (5 golos), Weldon (4 golos) e Roncatto (3 golos), marcaram 12 dos dezanove golos da equipa, cerca 70% do total portanto.

Os números relativos a 2006/07 são muito semelhantes: 27 pontos volvidas as mesmas 19 jornadas; 21 golos marcados e 20 sofridos (tal como na presente época, a 5ª defesa menos batida).

O Belenenses versão 2006/07 também não marcava muitos golos, sendo decisivos 2 jogadores até à 19ª jornada: nomeadamente Zé Pedro e só depois Dady a alguma distância. Curiosamente, o caboverdiano tinha somente quatro golos apontados à 19ª jornada, precisamente os actuais números de Weldon. Outra coincidência diz respeito aos golos fora de casa: 3 para ambos os jogadores.

Qual a grande diferença então de uma época para a outra?

Antes de mais, o Belenenses soma mais dois pontos, que se traduzem em dois lugares na classificação - 5º actualmente, sendo apenas 7º em 2006/07. Em relação ao 4º classificado, o Belenenses 2007/08 encontra-se somente a dois pontos (Guimarães com 31 pontos), diferença menor em termos pontuais em relação à época transacta - braga com os mesmos 31 pontos.

De salientar, todavia, o facto do equilíbrio entre as equipas da frente ser maior em 2007/08 (exceptuando evidentemente o porto), equivalendo um número de pontos semelhante a uma classificação mais próxima dos lugares que dão acesso à liga dos campeões.

De facto, volvidas 19 jornadas, o segundo lugar em 2006/07 valia 42 pontos (benfica) e o terceiro 39 pontos (sporting), valendo na presente época 37 e 33 pontos, respectivamente. Por outras palavras, o Belenenses é evidentemente um fortíssimo concorrente aos lugares que dão acesso à taça UEFA, estando ainda na corrida (embora sendo um outsider) a um lugar que pode dar acesso à liga dos campeões. Os 4 pontos que distanciam os azuis do sporting indicam isso mesmo.

Neste cenário de Belenenses europeu, assume particular importância a série positiva que o Belenenses atravessa, ou seja, estar numa tendência de clara subida quer em termos exibicionais, quer em termos classificativos. Os azuis contam com uma só derrota nas últimas 14 jornadas (em Guimarães à 14ª jornada).

Mais: o Belenenses é, até este momento, o "campeão" da 2ª volta, visto ter somado 10 pontos contra os 9 pontos de porto e benfica (sporting e Guimarães somaram 6; Setúbal 4 pontos; Marítimo 3 e braga somente 2 pontos).

Na realidade, a subida do Belenenses tem sido exponencial: somente 4 pontos somados volvidas 5 jornadas (12º classificado); 13 pontos à décima jornada (8º lugar); 19 pontos com 15 jornadas decorridas; e finalmente 29 pontos à 19 jornada, a que corresponde um 5º lugar.

Sendo assim, nas últimas 4 jornadas o Belenenses recuperou 4 pontos em relação a sporting e Guimarães; 6 pontos em relação ao Vitória de Setúbal; 7 pontos ao Marítimo; e uns impressionantes 8 pontos em relação ao braga.

Relativamente ao que resta jogar até ao final da liga, o Belenenses jogará em casa com os seus principais adversários, recebendo o Marítimo já na 20ª jornada (Sábado) o Setúbal na 27ª jornada, e o Guimarães na 29ª. No Restelo, o Belenenses é ainda visitado pelo porto (24ª jornada), deslocando-se à luz na 28ª jornada. Termina a liga no Funchal face ao Nacional.

Em relação à disputa pelo último lugar de acesso à liga dos campeões, as três próximas jornadas são muito prometedoras sob uma perspectiva belenense (os azuis recebem Marítimo e boavista e deslocam-se a Paços de Ferreira): o sporting desloca-se a Setúbal e a Guimarães, recebendo pelo meio o benfica. O Guimarães, por sua vez, desloca-se a braga na 21ª jornada, recebendo a visita do sporting na jornada subsequente. Os vimaranenses defrontam ainda o Marítimo e o porto no Afonso Henriques (24ª e 28ª jornadas respectivamente), tendo que se deslocar ao Restelo na penúltima jornada.

Perante o calendário que se aproxima, antevê-se uma luta titânica entre Belenenses, sporting e Vitória de Guimarães, sendo as tais três próximas jornadas importantíssimas para definir os verdadeiros contendores à tão desejada última vaga de acesso à liga dos campeões.

(Abstraimo-nos conscientemente do chamado "Caso Meyong", que terá importantes desenvolvimentos já amanhã. Por outras palavras, acreditamos que o Belenenses se irá manter com os 29 pontos que somou merecidamente dentro das quatro linhas até este momento).

Belenenses empata em Braga - 1:1

Melhor elogio não pode ser feito: o Belenenses, nomeadamente na 1ª parte, esteve ao nível do melhor que fez na época passada em termos exibicionais.

De facto, foi um Belenenses personalizado e com classe que se apresentou em Braga. Não obstante o (curto) fôlego inicial dos bracarenses, os azuis rapidamente impuseram a sua qualidade na circulação de bola, num autêntico carrocel triangular: Ruben Amorim mais descaído pela direita; Zé Pedro a evoluir pela esquerda; e Silas no vértice mais avançado. É caso para se dizer: quando este trio está em noite positiva, o Belenenses arrisca-se a vencer qualquer jogo.

Tal não veio a acontecer, mas quando, ao intervalo, as duas equipas recolheram aos balneários sob um enorme coro de assobios (que se traduzem em palmas na perspectiva belenense) parecia ser difícil que o Belenenses não saísse de Braga com os 3 pontos.

Porque não foi assim?

Antes de mais, devido a deficiências no capitulo da finalização - exemplo perfeito disto mesmo aconteceu aos 53 minutos, quando Silas remata por cima após brilhante jogada de Ruben Amorim. Em segundo lugar, o Belenenses não parece bem no capítulo físico, sendo sobretudo Zé Pedro e também Silas os expoentes máximos desta realidade (nomeadamente Zé Pedro desaparece praticamente de jogo nas segundas partes).

Por outro lado, o braga melhorou substancialmente nos segundos 45 minutos, sendo importantes neste cenário as entradas de João Tomás (libertou um pouco Linz) e césar peixoto.

Não obstante, o golo do empate surgiu um pouco por acaso, facturando Linz após colaboração de Cândido Costa primeiro e Rolando depois. O número 27 azul não é (nem nunca será) um lateral, sendo mais do que evidentes as suas fragilidades defensivas.

Melhor em campo na opinião do BAM: Ruben Amorim! Defendeu, atacou; jogou e fez jogar: nota 5.

Leitura de Jorge Jesus:

«O empate não satisfaz nem ao Belenenses, nem ao Sp. Braga, mas acho que para nós é melhor porque jogámos fora. Fizemos uma primeira parte excelente, ofensivamente gerimos muito bem a posse de bola e tacticamente não permitimos que o Sp. Braga funcionasse nos corredores.

Não demos espaço ao Jorginho e a nossa estratégia funcionou. Depois das substituições que o Sp. Braga fez, perdemo-nos um pouco. Não percebemos qual era o posicionamento deles, mas eu não podia parar o jogo, porque isto não é basket. Quando empatámos, temi que perdêssemos e preocupei-me em segurar a igualdade. Do mal o menos».

Em relação ao «caso Meyong»:
«Esta recente instabilidade directiva não nos afectou nada, até porque a nossa estrutura ligada à SAD continua intacta. Não há razão para sentirmos ansiedade, mas na primeira semana o ambiente mexeu connosco. Hoje queríamos vencer para dedicar o triunfo aos adeptos do Belenenses nesta hora complicada. Queremos fazer uma boa fase final de campeonato».


Resumo do encontro:

Belenenses 1 : Leixões 1 - Análise Belém até Morrer.

Novo jogo, novo empate, o terceiro consecutivo.
Se o nulo face a Académica havia tido um sabor amargo, o empate a uma bola com os leixonenses mais amargo foi.

Entrada de leão, saída de rato? A expressão não se encontra muito longe da verdade e espelha de certa forma o que se passou hoje à noite no Restelo.
Antes de mais, Jorge Jesus optou por deixar Gabriel no banco, e fazer alinhar o regressado Hugo Leal. Aposta ganha? Sem dúvida. O recuo de Ruben Amorim assegurou a necessária consistência defensiva ao meio campo azul, enquanto Hugo Leal e as suas características criativas encaixaram como uma luva na equipa. Simultaneamente, nos primeiros 25 minutos de jogo, Zé Pedro espalhou pelas quatro linhas o seu perfume.

E só deu Belenenses... Tudo assentou num forte pressing a meio campo - em diversas circunstâncias aconteceu ver-se 10 jogadores azuis no meio campo ofensivo - e numa posse de bola consistente e produtiva. Consequentemente, sem surpresa para ninguém, o Belenenses chegou muito cedo ao golo: jogada brilhante de Ruben que passa com mestria por dois leixonenses até servir, com um passe recuado, Zé Pedro. O número 11 belenense, vindo de trás, não desperdiça, e eleva para 4 golos a sua conta pessoal.

A história do Leixões no Dragão parecia poder se repetir, e esteve perto de se tornar real mas, como sempre tem acontecido, Weldon desperdiçou um golo feito.
É flagrante a falta de qualidade - pelo menos até ao momento - dos homens azuis mais adiantados. Sobretudo no período em que o meio campo azul esteve brilhante, esta constatação foi evidente para todos os belenenses presentes: com melhores avançados, o jogo teria ficado imediatamente resolvido.

Assim não aconteceu, e pouco a pouco o Leixões foi sacudindo a pressão, teve mais posse de bola, e o jogo - disputado essencialmente a meio campo - ficou dividido. Não obstante a melhoria dos leixonenses, o seu primeiro remate do jogo ocorreu somente aos 44 minutos - defesa de Costinha com os punhos tendo-se verificado ainda um remate na recarga.

No início dos segundos 45 minutos, dir-se-ia não ter havido intervalo, porque o jogo regressou tal como havia terminado: mais Leixões - em termos de posse de bola e domínio territorial - e menos Belenenses.
Ainda assim, o domínio dos leixonenses não tinha grandes consequências em termos de oportunidades de perigo.

Surgem então, em apenas 5 minutos, duas alterações nos 2 onzes que ajudam a explicar o empate final: Carlos Brito faz entrar Vieirinha (55 minutos) e Jorge Jesus responde fazendo entrar Fernando no lugar de Hugo Leal (60 minutos).

O meio campo azul mais recuado perde um elemento importante, quando parecia evidente que no ataque, onde a bola raramente chegava em condições, tinha um elemento a mais. A juntar à noite menos inspirada de Weldon e Roncatto, também Silas - visivelmente cansado - não produziu o pode e sabe.

O Leixões continua a dominar sem criar verdadeiro perigo até que o jogo atingiu os 70 minutos, período do jogo - que se prolongou até ao golo do empate - em que os leixonenses finalmente provocam calafrios na defesa azul: aos 69´ Ezequias remata da esquerda; um minuto volvido, um cruzamento de Jorge Gonçalves leva novamente o perigo até à area belenense; aos 73´é a vez de Vieirinha rematar cruzado, ao segundo poste; (surge então o livre perigoso de Zé Pedro); finalmente, aos 80´ o golo mais ou menos previsível do Leixões, através de Nwoko que havia entrado 30 segundos antes - Costinha pareceu se encontrar mal posicionado na baliza, um pouco desviado para o lado direito, quando a bola entra precisamente pelo lado esquerdo.

Pelo meio, aos 72 minutos, Jesus, pressentindo o perigo, ainda faz entrar Gabriel, mas tudo o que o panamense conseguiu foi ser expulso após 14 minutos em campo.

O resultado estava feito. O empate premeia um Leixões que lutou até ao fim e castiga um Belenenses que somente jogou futebol nos primeiros 25 minutos.

Destaques individuais positivos para Hugo Alcântara e Rodrigo Alvim no quarteto defensivo; e para o tridente do meio-campo composto por Ruben Amorim, Hugo Leal e Zé Pedro.
Nota negativa para Cândido Costa - esforçado mas pouco eficaz e defender e a atacar -, para Silas e também para a (inoperante) dupla ofensiva composta por Weldon e Roncatto.
Em termos de treinadores, Carlos Brito esteve mais feliz do que Jorge Jesus quando se tratou de mudar algo dentro das 4 linhas, de reagir ao que ali se passava.

Conferência de Imprensa de Jorge Jesus e Hugo Leal:



Golos:

Porto 1 : Belenenses 1 - Análise Belém até Morrer.

Foi um Belenenses personalizado, destemido e organizado que se apresentou ontem no estádio do Dragão.

Ao contrário do que sucedeu noutros jogos chamados grandes - Bayern na Alemanha e também no Restelo, por exemplo - Jorge Jesus manteve a estrutura táctica da equipa, 4x4x2, ou seja, não recorreu à utilização de um terceiro central.

A lição foi, ao invés, muito bem estudada, funcionando os três homens mais recuados do meio campo como verdadeiros tampões às investidas portistas: Gabriel Gomez na posição de trinco, e Ruben e Zé Pedro, respectivamente à esquerda e à direita, foram fundamentais para travar os alas adversários, Lisandro (e por vezes Leandro Lima) e Quaresma.

O losango azul teve como vértice mais avançado Silas, jogador chave nas transições ofensivas. No ataque, como tem sido habitual, evoluíram Weldon e Roncatto.

O Belenenses de ontem mostrou ser uma equipa possuidora de cultura táctica e grande espírito de entre-ajuda? Sim e sim, mas não só...

Antes de mais, o Belenenses ao seu melhor nível é uma equipa que tem classe, que sabe jogar futebol. De facto, cultura táctica e entrega são aspectos fundamentais em todos os capítulos do jogo, mas reflectem-se indubitavelmente mais nos aspectos mais defensivos de uma partida. No "outro" lado do campo, quando é necessário atacar, é todavia indispensável ter classe, e o Belenenses de ontem, sobretudo até ao golo do empate foi uma equipa de ataque, de posse de bola no meio campo adversário.

Se os números finais da partida nos dizem que o porto rematou em 14 ocasiões e o Belenenses em 10 (5 dos quais já dentro da grande área), a ligeira superioridade portista transforma-se em clarissíma desvantagem se tivermos em conta somente os 50 minutos que decorreram até ao golo de Zé Pedro. Mais: o Belenenses efectuou 5 remates à baliza, contra nenhum do porto: não obstante a bola à barra num centro remate, Costinha não fez uma única defesa no decorrer dos 90 minutos do jogo - fê-lo já perto do fim após remate de Adriano, mas o brasileiro encontrava-se fora de jogo.

Mesmo antes do jogo grosseiramente irregular de Postiga, o Belenenses tinha-se aproximado com mais perigo da baliza de Helton, nomeadamente na sequência de uma arrancada de Weldon aos 10 minutos (defesa de Helton) e de um cabeceamento de Rolando após canto de Zé Pedro.

Surgiu então, pouco depois, o caso do jogo, sendo o fora de jogo que precedeu o golo portista mais do que escandaloso.

Apesar da injustiça, o Belenenses não se desagrega e continua mais forte na luta do meio campo - Roncatto, isolado com mestria por Gabriel, poderia ter empatado aos 35 minutos.
Acabou por ser sem surpresa que aconteceu o golo belenense - dois minutos antes Weldon tinha cabeceado com perigo -, estavam decorridos seis minutos no segundo tempo (já Silas tinha saído das 4 linhas lesionado, entrando em seu lugar Evandro): brilhante jogada de Roncatto brilhantemente concluída por Zé Pedro. Terceiro golo do médio em três jogos.

Seguiu-se uma forte reacção portista em termos de posse de bola e velocidade imprimida ao jogo, e foi então que foi indispensável a tal cultura táctica e entrega a que tínhamos feito referência. Todavia, apesar de alguns calafrios - por exemplo aquando do cabeceamento de Postiga aos 56 minutos - o Belenenses mostrou-se irrepreensível a defender embora, naturalmente, com menor fulgor quando se tratou de atacar. Destaque neste capítulo para os dois remates quase consecutivos de Zé Pedro (64 e 65 minutos de jogo).

Concluindo, tratou-se de um excelente jogo do Belenenses - 4º jogo sem perder -, que mostrou ter equipa para se bater com qualquer adversário.

Fora das 4 linhas, eram cerca de 70 os Belenenses presentes nas bancadas do Dragão, sendo de destacar a presença de cerca de 40/50 elementos da Fúria Azul (entre os quais alguns pertencentes ao grande núcleo furioso de Ovar e também alguns amigos da Alma Salgueirista) que, não obstante o ambiente "hostil", nunca de cansaram de apoiar verbalmente a sua equipa.

Fotos de Sofia.

Fim-de-semana AZUL!

Apesar do Belenenses ser um clube historicamente vencedor, a conjugação de resultados que ocorreu neste fim-de-semana merece ser destacada. Ainda ontem o andebol e o basquete haviam vencido os seus jogos frente, respectivamente, ao benfica e o Vagos, sendo hoje a vez de brilharem o futsal ( vitória por 3:2 face ao Olivais e permanência da liderança do campeonato), novamente o basquete (no Restelo com o Barreirense) e finalmente o futebol - 1:0 no confronto com o europeu Paços de Ferreira. A esta série brilhante de vitórias dentro das 4 linhas, a ainda que juntar a excelente organização da secção de atletismo na grande jornada de belenensismo que é a corrida/passeio das Salésias ao Restelo.

No que diz respeito ao futebol, Jorge Jesus voltou mais uma vez a mudar o esquema táctico, alinhando desta feita num 4x3x3 (que muitas vezes se transformava em 4x4x2) de cariz ofensivo. Regressando aos dois centrais, Jesus abdicou ainda de um trinco de características mais defensivas (Gabriel Gomez habitualmente) fazendo recuar Ruben e também Zé Pedro. A organização do jogo azul ficou entregue sobretudo a Silas e também, a espaços, a Fernando quando este abandonava a ala esquerda. Ao centro alinhou Weldon apoiado por Roncatto - o campeão do mundo de sub-17 alinhou preferencialmente pela direita, mas muitas vezes flectia para o eixo.

Desde o primeiro minuto, o Belenenses assumiu as despesas do jogo, dominando claramente as operações a meio-campo e não permitindo ao Paços ter posse de bola e fio de jogo ofensivo. O domínio, todavia, foi algo consentido pelos pacenses, visto ter José Mota apostado claramente na retenção e aqui e ali no contra-ataque. Mérito para os azuis que conseguiram sempre anular este último aspecto. Ainda assim, o grande volume de jogo ofensivo do Belenenses não se traduziu em muitas oportunidades de golo, embora os azuis praticassem bom futebol até cerca da meia hora.

Numa poucas das possibilidades de golo na 1ª parte, Hugo Alcântara isola Weldon mas Tiago Valente recupera e intercepta o remate do avançado da casa - encontravam-se decorridos 24 minutos de jogo. A outra excepção a regra sucedeu aos 37 minutos, quando Luiz Carlos, na sequência de um canto, cabeceia à barra, com Costinha ainda a tocar na bola - única oportunidade de golo dos pacenses nos primeiros 45 minutos.

A história da 1ª parte estaria contada se não fosse o golo belenense aos 43 minutos: excelente passe de Silas que encontra Roncatto desmarcado na direita, flectindo o brasileiro ligeiramente para o centro para rematar cruzado sem defesa para peçanha. Bom golo de Roncatto, na sua estreia a marcar para a liga com a camisola azul.

No recomeço da partida José Mota faz entrar Edson Di, entrando ainda o estreante Wesley volvidos 10 minutos - o Paços havia regressado com mais vontade de atacar, mas os seus esforços revelavam-se infrutíferos.

Ao invés, é o Belenenses a criar perigo aos 58 minutos: Fernando, ao segundo poste, cabeceia por cima, depois de uma excelente jogada de Roncatto pela direita.

Ainda assim, Jesus compreendeu que o Paços tinha agora mais homens no meio-campo, e acertadamente ajustou a equipa ao fazer entrar Gabriel (64´) para o lugar de Fernando - o brasileiro havia sido assistido devido a lesão poucos minutos antes.

Imediatamente Mota reage, esgotando as substituições ao fazer entrar Márcio Carioca.

Indiferente a tudo isto, é novamente o Belenenses a criar perigo, na melhor oportunidade de tudo o jogo: o relógio indicava os 65 minutos quando Weldon, completamente isolado na área, remata incrivelmente contra Peçanha.

Com 20 minutos para jogar é a vez de Jesus mexer novamente na equipa - entrada de Evandro para o lugar do apagado Silas.

O cariz do jogo não se altera, estando sempre o Belenenses mais próximo de ampliar a vantagem. Exemplo disto mesmo, Evandro atira às malhas laterais depois de solicitação de Weldon (78´) e Weldon, 3 minutos volvidos tem possibilidades de se isolar mas, lento, deixa-se antecipar por Luiz Carlos.

Aos 84 minuto Jesus esgota as substituições, e provoca a maior ovação da noite: o destinatário foi Roncatto, que exausto foi rendido por Amaral. Consequentemente, Cândido subiu no terreno, tendo uns últimos 10 minutos simplesmente brilhantes, colocando a defesa pacense em pânico constante.

Boa vitória da melhor equipa - da única equipa de poderia ganhar, inclusive - perante um Paços combativo mas sem ideias quando se tratou de atacar.

Destaques individuais nos azuis para Roncatto e para Cândido.

Fotos de LUIS SILVA.

Conferência de imprensa de Roncatto e Jorge Jesus.

Eliminação da Taça da Liga - Análise Belém até Morrer.

União, entrega e espírito de entreajuda. Estes são os predicados sugeridos pela fotografia de Portimão que escolhemos para ilustrar esta análise. Tal escolha, advertimos desde já, não foi inocente.

A formula que tão bem resultou em Munique, pelo menos em termos defensivos, esteve desta feita ausente. Não merecerá o Portimonense o mesmo respeito por parte dos nossos jogadores? Provavelmente não, mas isto é só a ponta do iceberg.

Todas as equipas têm uma identidade, um código genético se se quiser. Ora o Belenenses 2007/08 surge-se-nos enquanto uma equipa de grande valor, de grande capacidade mas, e este é o fulcro da questão, este valor e capacidade não é inato, não surge "naturalmente". Nada pior do que ter uma equipa, um conjunto de jogadores portanto, que se julgam estrelas, que encaram os jogos consoante a sua importância. Tal preposição pode ser definida na seguinte equação: "Grandes jogos" = Entrega total; "Pequenos jogos" = serviços mínimos.

Acontece que 90% de uma época é composta por esses tais "pequenos jogos", ou seja, são estes na realidade os jogos mais importantes. Se relembrarmos a prestação do Belenenses 2006/07 na liga, verificamos que os seis jogos face a benfica, sporting e porto significaram um só ponto ganho - empate caseiro com o sporting -, traduzindo-se os restantes cinco jogos em derrotas, algumas delas pesadas. Ao invés, os azuis venceram em Aveiro, Leiria, Setúbal, Paços de Ferreira, etc, etc.

Por outras palavras, a equipa dava tudo de si em TODOS os jogos: era este o seu código genético, a chave para o seu sucesso.

Como tudo é diferente este ano...

A contrário da maioria, não pensamos ser este plantel inferior ao da época transacta, pelo menos em termos de potencial. Simplesmente, o Belenenses 2006/07 rendia perto dos 100%, ou seja, o seu máximo, em quase todos os jogos, enquanto o Belenenses 2007/08 rende, na maior parte destes, 50 ou 60% do tal potencial - já nos jogos "grandes", estas percentagens sobem exponencialmente, rondando os 100%; assim foi frente ao Real Madrid, ao Bayern e até mesmo ao sporting, jogo que dificilmente perderíamos com 11 jogadores.


Demasiados brasileiros? Sem dúvida. Demasiados emprestados? Certamente (ao tornar-se numa "montra", o Belenenses escancarou a sua equipa a jogadores que sabem que o importante é brilhar nos jogos "certos"). Demasiadas indefinições? Claro que sim (na época transacta Eliseu foi completamente colocado de lado por se encontrar em fim de contrato e não pretender assinar, circunstância que - até ver - ocorre com dois jogadores importantes sem que o critério aplicado seja o mesmo). Finalmente, demasiados jogadores acomodados? Evidentemente (a fase do orgulho ferido - devido ao que se passou em 2005/06 - já há muito foi esquecida, tendo jogadores importantes renovado contrato no defeso).

Regressemos ao princípio, ao jogo de Portimão.
O Belenenses entrou muito bem no jogo, teve inclusive um período - que se estendeu até aos 30 minutos - em que praticou um futebol de grande qualidade que se traduziu em 5 ou 6 excelentes oportunidades para inaugurar o marcador. Tal não aconteceu, algumas vezes por simples inércia, outras por evidente infelicidade. No último quarto de hora o ritmo, como seria natural, baixou um pouco, equilibrando o Portimonense as operações. Ainda assim, mesmo nos primeiros 45 minutos, alguns jogadores não "suaram" tanto como seria de esperar, nomeadamente Silas e Hugo Alcântara.

Inexplicavelmente, no reinício do encontro, o equilíbrio transformou-se em clara superioridade por parte dos homens da casa, que visivelmente se entregaram mais ao jogo (QUERER ganhar é meio caminho para a vitória...)

Perante um apático Belenenses, Jorge Jesus lê bem o jogo e retira das 4 linhas Silas (mais uma vez em dia não) e Rafael (esforçado mas sem ritmo, situação que lhe permitiu realizar uma boa exibição na primeira parte mas que não repetiu nos minutos que permaneceu em campo após o descanso). Para os seus lugares entraram Roncatto e Ruben Amorim - Weldon havia já substituído Evandro, mas a alteração foi tudo menos benéfica.

Como que instantaneamente, o futebol azul transfigurou-se, instalando-se o Belenenses no meio campo adversário. Com Ruben descaído à direita no meio-campo e Roncatto a alinhar em terrenos próximos mas mais perto da grande área, o perigo passou sempre pelos pés desta dupla, apesar de ser Fernando a facturar com naturalidade um golo algo esperado. Jogada iniciada por Weldon sobre a esquerda e concluída pelo 77 belenense com um remate, à entrada da área, ao centro, sem grande potência mas com muita colocação.

O jogo parecia irremediavelmente ir cair para o lado dos lisboetas, quando, sem motivo aparente, o Belenenses recuou para o seu meio-campo. Convidar o Portimonense a atacar sem que os médios pressionassem e os avançados tivessem bola ( Weldon não "existiu", J.P. Oliveira esteve muito apagado, assim como Fernando se exceptuarmos o golo) foi um autêntico suicídio que só se pode explicar com excesso de confiança e falta de entrega e entreajuda. O Portimonense acreditou, subiu no terreno perante a apatia azul, e mesmo sem criar muito perigo passou a assustar os belenenses presentes nas bancadas e a empolgar os adeptos locais.

Num lance semelhante ao ocorrido no ano passado, no Restelo, frente ao Benfica, Rolando tem a bola aparentemente controlada mas, à espera de Marco, hesita em despachá-la. Entretanto, Paulo Sérgio surge nas costas do defesa central e rouba a bola antes que Marco tivesse possibilidade de a agarrar - golo tão fácil como consentido. Inexplicavelmente, Paulo Sérgio, após marcar o golo do empate ignora os companheiros de equipa e o público afecto ao Portimonense, correndo 70 metros para vir "dedicar" o tento aos adeptos do Belenenses! Sem comentários.

Faltando cerca de 10 minutos para o final do encontro (com os respectivos descontos) foi o Portimonense que mais procurou o golo da vitória, embora sem grandes oportunidades para o fazer. Perante a entrega total dos seus adversários, o Belenenses foi incapaz de reagir, permanecendo a ver jogar.

Depois de apitar pela última vez, o arbitro correu na direcção de Paulo Sérgio para... lhe dar um grande abraço! Novamente sem comentários.

No início da lotaria dos penaltis dava toda a sensação que o Portimonense iria ser mais feliz, sendo todavia Marco a brilhar ao defender a segunda tentativa dos homens da casa. O Belenenses ainda não havia falhado, quando Weldon atirou à barra na 4ª série. O Portimonense de seguida marca, empatando assim a três. Na 5ª grande penalidade Paulo Sérgio não falha (e novamente volta a provocar os adeptos azuis) enquanto Rolando, visivelmente sem convicção, nem sequer acerta na baliza.

Vitória certa de quem mais fez para obtê-la (entenda-se de quem mais correu).

Fotos de Sofia.

Nau azul afunda-se na Madeira.

Quinta jornada, terceira derrota, desta feita frente ao Marítimo no Funchal - 2:0.

Depois de uma excelente exibição em Munique, Jorge Jesus fez alinhar uma equipa ultra defensiva, circunstância estranha perante a fraquissíma veia ofensiva que o Belenenses tem vindo a revelar - 3 golos em 6 jogos oficiais.

Assim, o Belenenses entrou nas 4 linhas com o seguinte 11 - Costinha, Cândido Costa, Rolando, Hugo Alcântara, Devic e Rodrigo Alvim; Gabriel Gómez, Ruben Amorim, Zé Pedro e Silas; Weldon - sendo de realçar a presença de 3 centrais e ainda de um médio com caracteristicas defensivas. À frente desta (só aparente) muralha defensiva, Ruben Amorim e dois jogadores que se têm revelado em má forma física e exibicional: Zé Pedro e Silas. No ataque azul, um autêntico deserto onde Weldon não foi (dificilmente poderia ter sido) um oásis.

Se podemos compreender o opção pelos três centrais? Claro que sim - a estratégia resultou em Munique e o Marítimo actua com Makukula e Kanu na dianteira. Agora a inclusão no 11 de um médio defensivo surge-se-nos enquanto incompreensível.

Incompreensão que se estende ao facto do esquema táctico de 5x2x2x1 ter perdurado 25 minutos (com o intervalo pelo meio) após o primeiro golo maritimista: Kanu marca aos 25 minutos e a primeira substituição azul só acontece aos 50 minutos - Roncatto substitui Devic.

Ainda assim, o Belenenses criou perigo através de dois remates quase consecutivos de Zé Pedro (aos 30 minutos) e Ruben Amorim 3 minutos volvidos para defesa de Marcos.

Seja como for, a estratégia ultra-defensiva dos primeiros 45 minutos revelou-se disparatada, como o prova o facto do primeiro canto azul ter acontecido somente na segunda parte - 53 minutos.

O Belenenses passou a dominar a partir deste momento, mas sem grandes consequências práticas. Tentando rectificar os erros anteriores, Jorge Jesus ainda procura introduzir sangue novo no ataque belenense - entrada de Mendonça para o lugar de Cândido, recuando Gabriel para defesa lateral direito - Jesus muda para 4x3x3, mas a substituição poderia ter mantido Cândido nas 4 linhas (jogador com rotina de médio que sabe atacar) e retirado das 4 linhas Gabriel.

Seguem-se 20 minutos sem que o Belenenses crie perigo, alterando Jesus novamente a equipa aos 80 minutos - do 8 para o 80, o treinador azul faz sair Silas e entrar João Paulo (esquema táctico de 4X2X4).

Muito pouco muito tarde, não obstante Mendonça ter rematado para nova defesa de Marcos, que assim nega o golo do empate ao Belenenses.
O esquema táctico suicida de Jesus acaba arrasado definitivamente já nos descontos, quando Makukula marca novamente para o Marítimo e fecha o marcador.

Concluindo, tratou-se de uma vitória da eficácia maritimista perante um receoso Belenenses.

Jorge Jesus comentou as vicissitudes do encontro da seguinte forma:

«Na minha opinião foi um bom jogo, com duas boas equipas. Nos primeiros quarenta e cinco minutos o Marítimo fez um golo, numa partida muito táctica e onde o perigo foi dividido. Na segunda parte penso que fomos sempre melhores e estivemos perto do empate, mas tivemos lances que não podemos falhar e não conseguimos melhorar o nosso último passe. O segundo golo surgiu quando já jogávamos no limite do risco. O Marítimo foi uma equipa dominada mas merece ganhar porque fez dois golos. Alguns jogadores acusaram algum desgaste. Mesmo assim fizemos um bom jogo. Penso que o resultado não espelha o que se passou no campo. Embora tenha que dar os parabéns ao Marítimo porque marcou golos e ganhou.»

Sporting 1 - Belenenses 0: Análise Belém até Morrer.

Novo jogo, nova derrota... Esta era uma forma de introduzir a nossa avaliação do jogo de Alvalade.

Todavia, preferimos outra: Este já é um Belenenses parecido ao que nos habituamos na época transacta.

De facto, independentemente do resultado, o Belenenses de hoje deu uma imagem substancialmente mais positiva em relação às partidas anteriores. Hugo Alcântara trouxe mais segurança ao eixo da defesa (se dúvidas havia quanto à qualidade do brasileiro ficaram desfeitas), enquanto o regresso de Gabriel ao meio campo defensivo representou o tão necessário equilíbrio entre o sector mais recuado e o sector mais criativo da equipa. Simultaneamente Ruben Amorim ganhou maior liberdade e raio de acção, significando o seu avançar no terreno uma mais valia para a equipa.

Com a casa arrumada na defesa (onde Alvim ter sempre mais dificuldades que Cândido) e no meio campo mais defensivo, vislumbraram-se a espaços alguns laivos daquilo que foi a grande arma do Belenenses 2006/07 a partir de certo momento da época: criatividade dos centro-campistas ao serviço dos avançados.

Dizemos laivos porque Zé Pedro continua demasiado lento e, consequentemente, pouco esclarecido e ineficaz (isto apesar do regresso ao 4x3x3 ter representado o regresso do médio a terrenos mais centrais); dizemos laivos porque Silas continua a prender demasiado a bola, sendo incapaz de ler o jogo (o número 10 belenense parece muitas vezes complicar o que é simples, sendo a sua falta de objectividade um grande handicap na sua qualidade de jogo).

Na faixa oposta, a esquerda, Fernando exibiu-se a bom nível, embora tenha momentos em que desaparece do jogo.

Na frente do triângulo ofensivo, Roncatto mostrou alguns bons pormenores nos primeiros 45 minutos, mas ficou claro que o jovem brasileiro não é um verdadeiro ponta de lança. A sua tendência quase inata para "fugir" da grande área é evidente, facto que tem reflexos negativos quando se actua em 4x3x3 - o campeão do mundo de sub-17 beneficiará muito de um esquema em 4x4x2 no qual possa fazer dupla com um jogador talhado para actuar entre os defesas centrais adversários.

Depois desta avaliação, não podemos deixar de ir de encontro ao essencial, aos momentos decisivos do encontro.

Minuto 43: Excelente jogada dos azuis do Restelo que culmina num remate cruzado de Ruben Amorim ao poste da baliza leonina.

Minuto 46 (2ºt.) - Jogada de golo eminente para a baliza de Stojkovic, mas Zé Pedro, após cruzamento da esquerda, completamente liberto, cabeceia incrivelmente por cima.

Minuto 50 (lance capital do encontro) - A grande penalidade a favor do Sporting e, sobretudo, a expulsão de Costinha. In loco pereceu-nos que existiu contacto entre Costinha e Liedson, sendo-nos difícil dizer de quem foi a responsabilidade do mesmo (ainda assim, parece-nos que foi o avançado brasileiro a provocar deliberadamente o contacto). Quanto à expulsão, não restam dúvidas quanto à sua injustiça, já um defesa azul ainda poderia interceptar o lance após a bola ter sobrevoado Costinha - xistra no seu "melhor" (Costinha comenta a lance do seguinte modo: "Estou a fazer a mancha e não me posso desviar dele. Não toquei no jogador, o jogador é que tocou em mim". Acrescentou ainda que "é triste penalizar os jogadores por algumas coisas. O jogo passado aconteceu o que aconteceu, agora não vamos falar sobre estes lances todos os jogos").

A partir deste momento a pressão do sporting naturalmente aumentou (10m difíceis após a grande penalidade defendida por Marco), sendo evidente que o meio campo azul perdeu fulgor por se encontrar com menos um homem (Zé Pedro).

De resto, parece-nos evidente a transfiguração quase absoluta de xistra da 1ª para a 2ª metade: recorrendo à expressão de Jesualdo, observamos um arbitro com coragem nos primeiros 45 minutos, e outro que foi levado ao sabor do brisa leonina, ao sabor do sistema dos 3 eucaliptos se quiserem.

Se, tal como referiu Jesus, o Belenenses actuou a 50% das suas capacidades futuras nos 2 primeiros jogos, no embate de alvalade terá actuado a 75%.

Que os 100% sejam uma realidade frente à União de Leiria...

Naval 1 : Belenenses 1 - Análise Belém até Morrer.


A estreia do Belenenses na liga 2007-08 foi pouco auspiciosa, sobretudo se tivermos em conta a exibição e as expectativas criadas.

Mesmo antes do início do jogo, foi evidente para todos os presentes que seria impossível jogar bom futebol no Bento Pessoa da Figueira Foz: o vento forte que assolou a cidade quase assumiu o estatuto de tempestade, ficando a eventual diferença técnica entre as duas equipas imediatamente esbatida.

Tal como havíamos previsto, o Belenenses entrou em campo com Costinha; Alvim; Rolando e Devic; Cândido; Gabriel e Ruben; Zé Pedro e Silas; Mendonça e João Paulo.

As características das três duplas do meio campo e ataque azul ilustravam com clareza quais as intenções de Jesus: Gabriel e Ruben, a dupla batalhadora, deveria ganhar a guerra do meio-campo, recuperar através do pressing o máximo de bolas possível e imediatamente iniciar os ataques; Zé pedro e Silas, a dupla criativa, deveriam espalhar a sua magia pelas 4 linhas e servir convenientemente o ataque; Mendonça e João Paulo, a dupla possante e rápida, deveriam manter a sua veia goleadora e alvejar as redes adversárias sem piedade...

Acontece que os planos saíram furados, nunca conseguindo o Belenenses ser eficaz em nenhum dos capítulos do jogo que descrevemos.

Se Ruben e Gabriel, a dupla que apelidamos de "batalhadora", ainda conseguiu um nível exibicional relativamente positivo - o vento não foi tão penalizador neste sector do campo - Silas e sobretudo Zé Pedro tiveram uma péssima noite, nunca se conseguindo sequer vislumbrar resquícios do seu bom futebol da época transacta. Tal como havíamos prognosticado, Zé Pedro - cujos maus índices físicos são já crónicos - é uma sombra de si mesmo quando actua mais descaído pela esquerda, circunstância agravada pela forte ventania. Já Silas mostrou mais disponibilidade física, sem que todavia este facto significasse qualquer espécie de eficácia.

Depois de traçado este cenário, difícil seria que o ataque não sofresse de males consequentes: Mendonça e João Paulo tiveram pouca bola, realidade que significou poucas oportunidades de alvejarem a baliza. Se o brasileiro pouco as procurou - não obstante a entrega incondicional ao jogo - o angolano, fazendo jus à sua mobilidade e velocidade, ainda procurou ter bola e ensaiar nos primeiros 15 minutos do jogo alguns raids ofensivos de bom nível mas sempre inconsequentes (acabou por perder gás rapidamente, vendo-se mesmo substituído pelo "goleador" Fernando já no decorrer dos segundos 45 minutos).

Anulada a maior capacidade técnica dos azuis pelo vento - que soprou a favor dos navalistas na 1ª - os esforçados homens da casa foram sempre mais práticos, apostando num futebol mais vertical. Consequência disto mesmo, nunca se fizeram rogados quanto se tratou de explorar o vento e atirar à baliza: livre de Gaúcho aos 3 minutos que embate na barreira; incursão de Dudu pela esquerda que culmina num remate para as mãos de Costinha (10 minutos); remates ao lado de Hugo Santos e de Saulo (19 e 20 minutos respectivamente).

Pelo meio, a única jogada dos azuis merecedor desse nome: aos 12 minutos Zé Pedro progride pela esquerda, cruza para João Paulo, rematando o brasileiro ligeiramente ao lado da baliza à guarda de Taborda.

Mero fogacho belenense, já que a Naval, 3 minutos volvidos, beneficia de três cantos consecutivos que serviram como pronuncio para o que aconteceria já perto do final do encontro, aparecendo Marcelinho sozinho na cara de Costinha - que faz a "mancha" com eficácia - quando o relógio marcava os 21 minutos.

Os azuis acusaram o perigo, e equilibraram o jogo, que decorria sobretudo a meio-campo. Nos últimos minutos da primeira parte assistiu-se inclusive a uma melhoria do Belenenses, que até ao intervalo domina as operações e cria perigo relativo - Mendonça, por exemplo, aos 42 minutos, falha o remate de primeira quando, já dentro da grande área, poderia alvejar com perigo a baliza de Taborda.

Após o regresso do intervalo, tudo fazia crer que o Belenenses, agora a favor do vento, iria definitivamente embalar para a vitória, mas: puro engano!

Ao invés, a Naval surge mais perigosa, falhando Saulo a emenda ao segundo poste (46'). Dois minutos volvidos é bem anulado um "golo" de Marcelinho, jogador que pouco depois cabeceia ao lado após solicitação de Hugo Santos.

A Naval, independentemente de jogar contra o vento, continua mais prática, apostando sempre num jogo extremamente vertical com base nas alas.
Preocupado, Jesus reage no banco e faz entrar Fernando para o lugar de Mendonça (52') - o Belenenses passa a jogar mais em 4x3x3, com Zé Pedro mais ao centro, Silas pela direita e Fernando pela esquerda.

Todavia, o cariz do jogo permaneceu inalterado, continuando a Naval a dominar e a criar mais perigo - Davide continua em destaque.

Jesus, aos 63 minutos, compreende que o jogo estava a perder-se a meio campo, e faz entrar Hugo Leal para o lugar do apagado Gabriel - a Naval optava frequentemente por fazer sobrevoar a bola pelo meio campo defensivo azul e, simultaneamente, Gabriel mostrava-se ineficaz dentro das 4 linhas, consequência da sua lentidão de processos e falta de sentido prático (o futebol sul-americano é, como todos sabem, jogado a um ritmo menor, ritmo esse que acabou por ser apanágio do Real Madrid, na Corunha, enquanto Gabriel esteve em campo; talvez esteja aqui a chave da excelente exibição do panamiano nessa ocasião. Quando, tal como sucedeu hoje, o ritmo aumenta...)

Quase imediatamente o Belenenses ganha objectividade e verticalidade, sofrendo o jogo nova "reviravolta" os azuis voltam a comandar e a criar perigo, ainda que relativo - remates de Hugo Leal aos 71 e 74 minutos, sendo o primeiro destes direccionado à baliza. Pelo meio, Jesus esgota as substituições e faz entrar Rafael para o lugar de Silas, o que significou que Zé Pedro (?!?) realizou os 90 minutos.

A tal verticalidade azul continua a assustar os navalistas, sobretudo na sequência de perigosos passes de Hugo Leal para as costas da defesa dos da casa - tal sucedeu por exemplo aos 75 minutos, mas João Paulo chegou atrasado ao lance.

Pouco depois, a melhoria inconsequente do Belenenses dá finalmente frutos (ainda que algo injustos): Fernando, na sequência de um livre directo a mais de 35 metros da baliza, dispara um autêntica bomba que só pára quando se anicha no fundo das redes de Taborda. Loucura na bancada afecta às hostes belenenses.

O técnico navalista reage pouco depois - entrada de João Ribeiro e saída de Dudu -, mas poucos acreditavam no empate, que acabou por suceder, mais uma vez, pertíssimo do final...

Canto apontado da direita ao qual Paulão responde com um cabeceamento vitorioso. Não havia tempo para muito mais e estava feita justiça - nenhuma equipa mereceu ganhar.

Notas positivas para Rolando, Cândido, Fernando e Hugo Leal no Belenenses.

Nota negativa para o facto do banco azul estar deserto no que respeita a ponta de lanças.

Jesus na primeira pessoa:

"Quando uma equipa sofrer um empate a um minuto ou dois do final não pode achar bom resultado. De qualquer forma conquistámos um ponto num campo muito difícil, face ao vento que se sentia no relvado. A Naval teve mérito, é uma equipa que aproveita bem as bolas paradas e chegou ao empate devido a tudo o que fez. Foi um jogo muito disputado, com um ritmo intenso, e faltou-nos algum poder na frente, uma vez que como sabem perdemos os dois avançados titulares na época passada. Silas e Mendonça não são avançados, mas tive de colocá-los lá na frente. Os meus jogadores estiveram bem, mas faltaram-nos algumas componentes na zona de decisão: precisamos de jogadores para ajudar o João Paulo, que é o único avançado de raiz. É natural que venha mais algum jogador."

Mais: "Foi difícil jogar. Estava muito vento. Mas o jogo teve alguma intensidade, embora tecnicamente não fosse possível jogar melhor. Na primeira parte a partida foi dividida e senti que se chegássemos empatados ao intervalo iríamos ganhar, pois na segunda parte teríamos o vento a favor. Senti que o Fernando ou o Zé Pedro poderiam fazer golo de bola parada e isso aconteceu. Já não esperava era sofrer um golo tão tarde, mas o Paulão é um jogador muito forte nesses lances. Um ponto fora é positivo e reconheço que a Naval não merecia perder. Mesmo assim, não podia exigir mais à minha equipa. Com o Roncatto de fora e a saída do Dady não tivemos poder na frente. Tive que meter o Mendonça, o Silas e depois o Rafael Bastos naquela posição mais ofensiva"(flash interview).

"Acabou por ser positivo conquistar um ponto fora de casa. A Naval também, acreditou até ao fim, os seus jogadores acreditaram que podiam empatar o jogo. O Paulão é um jogador muito perigoso nas bolas paradas. Para além de ser grande é um jogador que acabou por merecer o golo. A divisão de pontos é justa. Não podia exigir mais à minha equipa, como eu vos disse, em função da ventania que estava... Vamos preparar-nos para o próximo jogo..." (rádio - Jesus visivelmente rouco).

O melhor da noite acabou por ser... Os adeptos azuis que compareceram em excelente número se tivermos em conta tratar-se de uma segunda-feira. Mais do que a quantidade, registo para a qualidade dos belenenses presentes que nunca regatearam esforços para incentivar a sua equipa (tantas vezes críticos, desta vez aplaudimos a massa adepta azul, que apoiou toda em uníssono, não se limitando a escutar os cânticos da incansável Fúria Azul. Parabéns a todos - de Lisboa, do centro e também do norte do país - que fizeram a viagem).

Última nota: pior que o empate, seria os belenenses duvidarem da sua equipa, duvidarem de si mesmos, afinal. O entusiasmo em redor da equipa não pode esmorecer: pelo contrário, terá que decaduplicar no jogo frente ao braga. Vamos, todos juntos, reeditar o "inferno" da meia final da taça.

GRANDES SOMOS NÓS!!!


Resumo do Jogo.