História de Matateu (XVIII)



Oito dias apenas sobre o encontro realizado em Berlim, onde Matateu havia conquistado a admiração do exigente público daquela grande cidade, o excelente jogador, que então havia batido outro record - o de ser o mais internacional dos jogadores belenenses - via o seu palmarés aumentado, ao fazer parte da equipa portuguesa que defrontou, na cidade do Porto, a mesma equipa germânica.

A turma das quinas voltou a vencer o seu adversário, neste jogo, efectuado no estádio das Antas, em 28 de Junho de 1959.

Matateu foi, mais uma vez, um dos principais esteios da nossa equipa, tendo sido o "fabricante" de dois dos golos da nossa selecção, que venceu por 3-2.
O jogador de Laurenço Marques, embora bem guardado pelos seus adversários mais directos, voltou a brindar o público nortenho com mais uma excelente exibição. Com este encontro terminou a sua época internacional, que fora coroada com mais cinco internacionalizações, pelo que atingiu a sua 23ª presença no onze de Portugal.

Após os encontros com os germânicos, recomeçou a taça de Portugal, que, devido às consecutivas paragens, estava a ser disputada sem grande entusiasmo. O Belenenses, que havia já eliminado o Peniche e o Atlético, teria que defrontar a forte equipa do Benfica, sendo o primeiro encontro disputado no Restelo.
O jogo foi disputado de noite e, como é natural, despertou o maior entusiasmo entre o público afecto não só às duas equipas, como também a todos os adeptos do futebol.

A equipa do Restelo, depois de excelente exibição, obteve uma brilhante vitória por 3-1, tendo Matateu marcado o segundo golo e proporcionado o primeiro e o último ao avançado Tonho, após jogadas fulminantes e bem características. No final do prélio, os adeptos do clube local ovacionaram delirantemente o fogoso moçambicano que, não obstante a idade, continuava a ser um elemento de excepcional classe, denotando sempre um espírito jovem e irrequieto, que lhe permitia actuações de grande mérito.
O segundo tento do encontro, marcado por Matateu - foi um golo espectacular: de costas para a baliza recebeu a bola e, rodando o corpo, fulminantemente, disparou sem defesa possível para Costa Pereira.

No encontro efectuado no Domingo seguinte, no estádio da Luz, deu-se o inesperado. O benfica conseguiu não só anular a desvantagem que trazia do Restelo, como ainda superiorizar-se de tal modo, que o Belenenses acabou por ser eliminado do torneio. E, mais uma vez, Matateu não conseguia um título oficial. Terminara assim a oitava éoca desde que Matateu actuava em Portugal.

Neste final de temporada, houve agitação nas hostes belenenses. A direcção da popular colectividade cedera o seu treinador Fernando Vaz, e recrutara o técnico brasileiro Otto Glória, que tinha servido até então o benfica, o adversário que eliminara os azuis da taça.

Novamente surgiram entre os belenenses as maiores ambições. Seria Otto Glória capaz de oferecer ao Belenenses um título oficial, conforme tinha feito, por mais do que uma vez, no Benfica? Seria na época que se seguia que Matateu iria conquistar o primeiro título oficial desde que actuava em Lisboa?

E com esperanças, as mesmas esperanças com que sempre começavam os campeonatos, o Belenenses iniciou a época de 1959/60.
Otto Glória já conhecia bem a maioria dos seus pupilos e por isso não teve grande dificuldade em formar a equipa para os primeiros encontros da época, que se realizariam no estádio Nacional a contar para um torneio oficial denominado Taça de Honra ao qual concorriam as equipas do benfica, sporting, Belenenses e atlético.

As equipas para a primeira jornada defrontaram-se conforme sorteio: Belenenses-benfica e sporting-atlético.
O torneio foi disputado no sistema da taça latina, isto é: os vencedores da primeira jornada defrontar-se-iam no Domingo seguinte numa final, enquanto os vencidos disputariam entre si o direito ao terceiro lugar.

No primeiro encontro em que o Belenenses actuou, o resultado foi-lhe favorável pela diferença de um golo, obtido por Yauca. Matateu começou a época da melhor maneira, pois além do seu clube vencer um adversário de comprovado valor, ele tinha sido uma das grandes figuras no rectângulo, fazendo uma exibição em tudo de acordo com a sua categoria. No outro encontro, o sporting venceu com relativa facilidade o seu antagonista.
Assim, Belenenses e sporting disputaram a primeira final da época.

O jogo disputou-se depois do encontro entre os dois vencidos da jornada anterior, tendo ganho o benfica a um atlético animoso mas que sucumbia perante a maior poder de fogo dos encarnados.
Quando o jogo entre leões e azuis começou, o estádio Nacional encontrava-se repleto, embora o dia estivesse ainda convidando para os últimos banhos nas praias.

Voltou o Belenenses a actuar em grande plano, e, depois de um interregno que durou alguns anos, conquistava um importante trófeu oficial em futebol.
Matateu foi ele mesmo. O verdadeiro cérebro da maquinaria que levou que levou de vencida o seu excelente adversário. Yauca foi, de novo, o marcador do golo da vitória, mas a Matateu coube a notável evolução da turma do Restelo.

Com 32 anos de idade e nove em Portugal, Lucas Sebastião da Fonseca conquistava o seu primeiro troféu ao serviço do clube para onde tinha vindo, aquele clube que fez com que ele, um dia já distante, saisse da sua casa de Alto Mahé com a cabeça cheia de sonhos e ilusões.